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Fdeandrea Atividade Física e Saúde

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sábado, 2 de agosto de 2014

“Personal trainer ou treinador pessoal, qual a importância deste profissional”

O Treinamento Personalizado é definido como treinamento com aplicação adequada de sobrecarga com intuito de aprimorar o condicionamento físico, indo de encontro aos objetivos do aluno contratante (1).
O prestador deste serviço, treinador pessoal ou personal trainer deve possuir formação superior em Educação Física com qualificação em treinamento desportivo, fisiologia do exercício, anatomia e biomecânica, apto para a prescrição de treinamento físico individualizado (2). Antes de se contratar um personal trainer, o cliente deve certificar-se que a formação em Educação Física deste profissional está concluída e, de preferência, que o mesmo possua título de especialista na área (3).
O crescimento do segmento de atividade física e saúde, a procura cada vez maior por uma vida ativa e o desejo de se ter ao alcance um treinamento individualizado impulsionaram no mercado da Atividade Física a tendência de contratar o seu próprio Professor Particular, o tão cobiçado “Personal Trainer” (4).  A necessidade de motivação e acompanhamento para a prática de atividades físicas, orientadas de forma personalizada, faz com que as pessoas sejam conduzidas a procurar esse profissional (4).
O Personal Trainer precisa acompanhar as tendências do mercado de fitness com o objetivo de repensar seus programas de treinamento, visando alcançar uma permanente atualização de sua intervenção profissional. Assim, foram criadas ações que pudessem trazer mudanças em suas propostas de treinamento, buscando melhorias das capacidades funcionais e estruturais dos corpos dos seus clientes (5).
O serviço de Treinamento Personalizado é uma das formas do profissional administrar, conduzir e reconstruir novos valores a fim de se manter e estabelecer em um mercado novo e promissor no seu campo de intervenção profissional (6).
A motivação é um fator que vem sendo estudado por ser responsável pela busca de objetivos das pessoas , a motivação é um tipo de força interna que surge, regula e sustenta todas as nossas ações (7). Cunha ressalta a importância de o professor saber o nome dos seus alunos e como isso melhora e aproxima a relação professor-aluno, fazendo com que eles sintam-se reconhecidos, motivo pelo qual possa influenciar na adesão às aulas de ginástica ou musculação (8).
Lubisco justifica o aumento da procura por um trabalho individual pelo fato de os indivíduos desejaram uma pessoa ao seu alcance, um profissional capaz de lhe dar resultados mais rápidos e que se ajuste aos seus horários (9).
Melher também mostra que a procura pelo profissional se dá pelo objetivo de resultados rápidos, que atendam às expectativas dos alunos e a individualidade de cada um, seja pela busca da saúde, estética ou pelo condicionamento físico, que são os motivos mais procurados pela maioria dos alunos (10).
É importante identificar as razões pelas quais os alunos buscam um trabalho personalizado, conhecer o aluno e seus objetivos, torna-se importante tanto para a adesão quanto para a aderência nas aulas de personal trainer. No estudo de Sombrio , em que ele busca os motivos de adesão à prática de exercício físico por parte dos alunos de personal trainer, dentre homens e mulheres, buscam um acompanhamento personalizado para melhorar ou adquirir saúde e qualidade de vida, sendo, muitas vezes, levados a essa escolha pela falta de tempo por conta de emprego, fazendo com que busquem um melhor aproveitamento do tempo disponível. A questão da estética aparece em terceiro lugar na pesquisa de Sombrio e pode estar relacionada à importância que a sociedade dá para a imagem corporal, sendo buscada em maior número pelas mulheres. Pode-se inferir, ainda, que existe uma conscientização maior acerca da saúde por parte dos participantes (11).
  Com a oferta do serviço do treinamento personalizado em processo de demasiada procura, o domínio do conteúdo é essencial, pois algumas mudanças como o exigir mais dos profissionais que abraçaram tal carreira à medida que o avanço da tecnologia é bem mais frequente. Sobre o domínio técnico, Bompa afirma que a intervenção do Personal Trainer está relacionada aos conhecimentos fisiológicos, psicológicos, planejamento desportivo e nutrição esportiva (12).
O sucesso deste profissional é visualizar que o marketing é fundamental para a atuação do treinador personalizado frente ao mercado. Várias estratégias de marketing são prescritas com vistas ao êxito nesta fabricação de clientes para a empresa personal trainer, como: estabelecer parcerias (médicos, fisioterapeutas, academias, quiropratas), mandar mensagens de felicitação em datas especiais para os clientes, fazer propaganda emtodos os meios de comunicação possíveis e criar seu próprio slogan. Sites promocionais,cartazes, folders, slogans, propagandas em vias públicas e em jornais e revistas de tiragem diversa constituem-se em instrumentos de marketing indicados pela literatura para a promoção do personal trainer.

Conclusões:


Em um mercado competitivo, como o do Treinador Pessoal, o conhecimento do perfil do cliente é fundamental para a elaboração de estratégias de mercado que atendam aos objetivos e necessidades do público alvo. Essa necessidade remete à visão do personal trainer como empresa, corroborando com o que é estipulado pelo Conselho Federal de Educação Física (13) que afirma que as condições necessárias para o exercício da profissão, além da conduta ética e a habilitação legal, incluem aspectos como capacitação empresarial.
Oliveira (14) enfatiza que “o personal é um profissional que, com boa dose de criatividade, tornará suas aulas motivantes e com resultados positivos. Tornando-se um profissional diferenciado quando cria condições para o aluno  desenvolver a atividade com segurança e prazer”. O autor relata durante a sua obra a  necessidade de uma formação profissional além do aspecto físico, concluindo que os  clientes que utilizam o serviço do personal trainer são pessoas com excelente formação, bem  informadas e que buscam profissionais sérios, que cuidem muito bem de sua saúde. O  autor nos traz uma nova visão na relação personal trainer - cliente, que adentra na  existência moral da questão. Para ele a atividade física exige do praticante o equilíbrio  entre seus interesses desportivos e sua vida profissional, social e familiar, acrescentando  que o personal trainer é antes de tudo um educador, um modificador de comportamentos.
Concluindo que as principais características que este determinado profissional tem que ter são:

- ética.
-profissionalismo.
-conhecimento técnico e científico.
-curiosidade em estar sempre procurando conhecimento.


Referências:


  1. 1-    GUEDES Jr, D. P.; SOUZA Jr., T. P.; ROCHA, A. C. Treinamento Personalizado na musculação. São Paulo: Phorte, 2008.
  2. 2-    OLIVEIRA, R. C. Personal Training. São Paulo: Atheneu, 1999.
  3. 3-    ANVERSA, A. L. B.; OLIVEIRA, A. A. B. Personal trainer: competência profissional demandada pelo mercado de trabalho. Pensar a prática. v. 14, n. 3, p. 1-17, 2011.
  4. 4-    MOTA, J. Envelhecimento e exercício – atividade física e qualidade de vida na população idosa. In:Esporte e Atividade Física: interação entre rendimento e saúde, Barbanti, Valdir J. (org.). Barueri, SP: Manole, 2002.
  5. 5-    FORGE RL. Mind-body fitness: encouraging prospects for primary and secondary prevention. J Cardiovasc Nurs. 1997; 11: 53-65. 55.
  6. 6-    RODRIGUES, C. E. C. Personal Training. Rio de Janeiro: Sprint, 1996.
  7. 7-    FREITAS D. C.; SILVA F. A. G.; SILVA A. C.; LUDORF S. M. A. As práticas corporais nas academias de ginástica:um olhar do professor sobre o corpo fluminense. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.33, n.4, Porto Alegre, out/nov, 2011.
  8. 8-    CUNHA, A. C. Os conteúdos físico-esportivos no lazer em academias: atividade ou passividade?. In. MARCELLINO, N. C. (Org.). Lúdico, educação e Educação Física. 2ª ed. Ijuí: Editora Unijuí, p.149-159, 2003.
  9. 9-    LUBISCO, Carla. Personal Training. E. F. Rio de Janeiro, v.4, n.15, p.4-8, mar. 2005.Disponível em: .Acesso: outubro, 2013.
  10. 10- MELHER, L. I. A. Aumenta a procura por personal trainer. Jornal Laboratório daFaculdade de Artes e Comunicação da Universidade Santa Cecília –UNISANTA, São Paulo, mar. 2000. Disponível em:< http://www.online.unisanta.br/2000/03-25/esporte2.htm>. Acesso: outubro, 2013.
  11. 11- SOMBRIO D. A. Motivos de adesão e aderência a prática de exercício físico do cliente/aluno de Personal Trainer no município de Criciuma – SC. Monografia apresentada Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, Criciúma, 2011.
  12. 12- BOMPA, T. O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. 4. ed. São Paulo: Phorte, 2002.
  13. 13- CONFEF. Resolução CONFEF nº 056/2003. Disponível em http://www.confef.org.br/extra/resolucoes/conteudo.asp?cd_resol=103&textoBusca=.
  14. 14- OLIVEIRA, R. Personal trainer: uma abordagem metodológica. São Paulo: Atheneu. 1999

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sábado, 5 de outubro de 2013

“ATIVIDADE FÍSICA E SONO”

 Os distúrbios do sono estão entre os distúrbios clínicos com maior impacto de saúde em nossa sociedade, causando sérios prejuízos econômicos para suas populações (1).
Mello (2), o sono é considerado como restaurador e o exercício está relacionado com diversas alterações no padrão de sono, mas existem várias facetas sobre a influência do exercício em relação ao sono, como a intensidade e a duração do exercício, o intervalo entre o fim da realização do exercício e o início do sono, entre outros, nos quais ainda carecem de maiores estudos.
Heinzelmann e Bagley (3), em seus estudos eles submeteram alguns indivíduos a três sessões semanais de exercício de uma hora, durante 18 meses. Ao final do estudo os participantes relataram menor necessidade de sono, assim como um sono mais relaxado e restaurador, demonstrando a influência da atividade física no sono destas pessoas.
 Vuori at all. (4) realizaram um levantamento epidemiológico em que foram entrevistadas 1600 pessoas, com idade variando entre 36 e 50 anos, com o objetivo de investigar a influência da atividade física no sono. Neste estudo os autores também relataram que fatores sociais, psicológicos, condições do local em que dormem, o estilo de vida e as condições de vida do indivíduo influenciam diretamente na qualidade de sono e no desempenho físico. Um outro importante achado é que os exercícios: moderado e vigoroso, podem melhorar a qualidade de sono, mas os exercícios vigorosos devem ser evitados tarde da noite.
    Segundo Tynjala (5), uma percepção ruim de qualidade de sono está associada com uma baixa descrição de saúde; baixa capacidade física; e inúmeros sintomas psicossomáticos. Dificuldades para dormir e uma qualidade de sono ruim podem também ser sinais de fatores de estresse, e um estilo de vida inadequado. Para este mesmo autor, a percepção de qualidade de sono é descrita em muitos estudos como dificuldade em cair no sono; dificuldade em manter o sono; acordar muito cedo pela manhã; quanto revigorada a pessoa sente depois do sono; e a própria visão da pessoa sobre sua qualidade de sono. Há também evidências de que qualidade de sono ruim está associada, entre outras coisas, com problemas em relacionamentos sociais, dificuldade em lidar com problemas, distúrbios de sono e estados psicológicos como: depressão, ansiedade, tensão e medo. O hábito de fumar; ingerir bebidas alcoólicas; e bebidas contendo café ou cafeína freqüentemente, podem diminuir a qualidade de sono; por outro lado, a prática de atividade física tem demonstrado gerar efeitos positivos na qualidade de sono, e a inatividade física efeitos negativos. Hábitos de sono como: irregularidades no horário de dormir; dormir tarde; curtos períodos de sono; grandes diferenças entre os horários de ir para a cama durante a semana e o fim de semana; e longos cochilos durante o dia têm sido associados com uma má qualidade de sono.
    Buckworth & Dishman (6), dizem que cerca de 30% da população adulta nos EUA, e de 20 a 40% da população mundial são acometidos por problemas relacionados ao sono, deteriorando assim a qualidade de vida, e diminuindo a produtividade no trabalho, entre outras coisas.
Segundo o American Sleep Disorders Association (7), o exercício leve e moderado pode ser considerado uma intervenção não-farmacológica para a melhoria do sono, porém poucos profissionais da área de saúde têm recomendado e prescrito o exercício físico com este intuito, talvez por não conhecer a importância da prática de atividades físicas para a aquisição de um sono de maior qualidade. Vale lembrar que esta mesma associação concluiu que os exercícios vigorosos podem prejudicar o sono.
De acordo com Martins (8), o comportamento do sono pode trazer informações bastante úteis na preparação do esportista, já que como conseqüências da alteração do padrão de sono podem ocorrer reduções da eficiência do processamento cognitivo; do tempo de reação e responsividade atencional; além de déficit de memória; aumento da irritabilidade; alterações metabólicas, endócrinas e quadros hipertensivos, que podem comprometer o rendimento físico e a saúde destes indivíduos.
    Constatamos com Weinberg & Gould (9) que a insônia que aflige aproximadamente um terço da população adulta, está associada com: aumento da mortalidade; com transtornos psiquiátricos e com a diminuição da produtividade e do desempenho. Por isso o exercício físico tem recebido maior atenção ultimamente, por ser considerado um tratamento alternativo na melhora da qualidade de sono, já que ele causa fadiga física e tem efeitos calmantes fisiológicos e psicológicos bem estabelecidos, por isso a noção de que o exercício estimula o sono pode ser lógica.
 O exercício físico pode ser definido como sendo uma subcategoria da atividade física bem planejada, estruturada e repetitiva, objetivando aumentar ou manter a saúde e a aptidão física (10). Quando praticada sistematicamente proporciona adaptações positivas para a saúde, como o aumento da capacidade do sistema cardiorrespiratório; melhoria da tonicidade muscular; controle da pressão arterial, do colesterol e do peso corporal; aumento da secreção de hormônios anabólicos, e outros; afirma Sharkey (11). Encontra-se relacionada na maioria dos programas que visam promover a saúde (10), porém, pouco tem sido indicada no tratamento de distúrbios relacionados ao sono (12).
Para Monti (13) o exercício físico no tratamento da insônia só deve ser indicado para ser versado durante a manhã ou nas primeiras horas da tarde. Em outra referência pesquisadores orientam a não praticar exercícios físicos próximo ao horário de dormir, devendo ter um intervalo mínimo de 3 horas entre o término da atividade física e o horário de deitar (14). Em conclusão de estudo, Silva & Lima (15) concordam com os benefícios do exercício físico para esse distúrbio, observando, contudo, o tipo (preferencialmente aeróbios), a duração (± 30 minutos), a freqüência (pelo menos 3 vezes semanais) . 


A atividade física e o sono do idoso

A atividade física é definida como um conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pratica envolvendo gasto de energia e alterações do organismo (16). Esta atividade realizada de forma planejada, estruturada, repetitiva e intencional é uma maneira eficiente de garantir a sobrevivência dos indivíduos (17).
A atividade física está associada com uma saúde mental positiva e proporciona ao indivíduo uma vida com maior qualidade. Sobrinho (18) complementa afirmando que o exercício físico é uma forma de sobrecarga para o organismo e quando bem dosada estimula adaptações de aprimoramento funcional de todos os órgãos envolvidos.
Boscolo et al (19) afirma que o exercício físico regular contribui para a qualidade de vida, proporcionando aos praticantes a melhoria das capacidades cardiorrespiratória e muscular; o controle da massa corporal; a redução da depressão e da ansiedade; a melhoria das funções cognitivas (memória, atenção e raciocínio); e a melhoria da qualidade e da eficiência do sono. Portanto, conclui-se que, se os idosos praticarem alguma atividade física, possivelmente terão uma melhora na qualidade do seu sono.
Taveira e Ceolin (20) buscaram avaliar a qualidade subjetiva do sono de idosos (idade média de 70,4 ±6,5 anos), com cardiopatia isquêmica (CI) e os fatores que influenciam o sono, segundo seu ponto de vista. De acordo com os sujeitos avaliados, os fatores que contribuem para sono de boa qualidade são: saúde, tranqüilidade, silêncio e pouca claridade.
 A concepção de que a atividade física regular e sistematizada costuma ser indicada como influência positiva sobre a qualidade do sono, ocorre devido à proposição de que o sono teria um papel de compensar as energias perdidas durante a vigília e, portanto, maiores níveis de atividade durante a vigília resultariam em aumento da profundidade e duração do sono (21).
Podemos observar que “a investigação e o tratamento das perturbações do sono do idoso exigem uma abordagem ampla e completa, uma vez que a fronteira entre a normalidade e o distúrbio ainda se mostra tênue, a despeito dos avanços obtidos. O sono, assim como o envelhecimento, apresenta múltiplas facetas a serem estudadas” (22).


Distúrbios do sono

Embora a atividade física seja essencial, não resolve necessariamente todo tipo de distúrbio do sono. “A prática esportiva pode ajudar a dormir melhor, mas funciona como um auxiliar, um coadjuvante, não atua diretamente em problemas nos casos crônicos de insônia”, afirma a médica do Einstein.
O exercício físico beneficia mais a quem dorme “picado”. As atividades físicas aumentam a quantidade de sono profundo e diminuem o número de despertares e de vigília durante a noite. Outro distúrbio que pode melhorar com a ajuda dos exercícios é a apneia - uma parada repetida e temporária da respiração durante o sono. O problema é normalmente associado ao ronco.
O efeito do exercício físico nesses casos será indireto, uma vez que quem sofre de apneia, em geral, também é obeso e a atividade física ajudará a controlar o peso e, consequentemente, esse distúrbio poderá diminuir (23).

Conclusão:
O sono é uma condição fisiológica necessária para a nossa sobrevivência; mas nem todos têm o privilégio de dormir com a qualidade ou quantidade da qual carecem. Diversos fatores contribuem com a privação do sono concedendo distúrbios como a insônia.
  O sono é indispensável para a vida do ser humano, já que é através dele que se consegue recuperar todo o gasto energético das atividades do dia. Mesmo sabendo que várias pessoas possuem problemas relacionados ao sono, os estudos apontam para a necessidade fisiológica dele.
    O organismo humano consegue aproveitar melhor os benefícios advindos de um programa de exercícios físicos regulares através do sono, que é o momento onde as adaptações fisiológicas são fixadas.






REFERÊNCIAS:


1-    Vela-Bueno, A, De Iceta, M, Fernandez, C. Prevalence of sleep disorders in. Gac Sanit. 1999. 13 (6), 441-8. Madrid, Spain;
2-    Mello MT, Esteves AM, Comparoni A, Benedito-Silva AA, Tufik S. Avaliação do padrão e das queixas relativas ao sono, cronotipo e adaptação ao fuso horário dos atletas brasileiros participantes da Paraolimpíada em Sidney - 2000. Rev Bras Med Esp. 2002; 8 (3); 122-28;
3-    Heinzelmann F, Bagley R. Response to physical activity programs and their effects on health behavior. Public Health Report; 1970. 85: 905-11;
4-    Vuori I, Urponen H, Hasan J, Partinen M. Epidemiology of exercise effects on sleep. Acta Physiol Scand. 1988; 574:3-7;
5-    Tynjala J, Kannas L, Levalahti E, Valimaa R. Perceived sleep quality and its precursors in adolescents. Health Promotion International, Oxford University Press, 1999. 14, (2), 155-166, Great Britain;
6-    Buckworth J, Dishman RK. Exercise psychology. Champaign: Human Kinetics, 2002;
7-    American Sleep Disorders Association. The international classification of sleep disorders (diagnostic and coding manual). Kansas; DCSC, 1991;
8-    Martins PJF, Mello MT, Tufik S. Exercício e Sono. Rev Bras Med Esp 2002; 7. 28-36;
9-    Weinberg RS, Gould D. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. Ed. Artmed, 2º ed. 2001. Porto Alegre, RS;
10- CABRAL, I. A. et al. Análise do conhecimento dos profissionais de Educação Física em relação à atividade física como promotora da saúde. MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física, Ipatinga: Unileste - MG - v.2 - n.2, p. 1-14, 2007.
11- SHARKEY, B. J. (1998) - Condicionamento físico e saúde. 4 ed. Porto Alegre: Artes médicas, 1998.
12- ORTIZ, M. J; MELLO, M. T. Prescrição de exercício físico e aspectos psicobiológicos. In: MELLO, M. T; TUFIK, S. Atividade física, exercício físico e aspectos psicobiológicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
13- MONTI, J. M. Insônia primaria: diagnóstico diferencial e tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, n.1, p. 31-34, 2000.
14- SOCIEDADE BRASILEIRA DE SONO (2003). I Consenso Brasileiro de Insônia. Hypnos – Journal of Clinical and Experimental Sleep Research 4 (Supl 2), 9/18.
15- SILVA, C.A; LIMA, W.C. Exercício físico na melhora da qualidade de vida do indivíduo com insônia. Movimento, Rio Grande do Sul, v. 7, n. 14, p. 49-56, 2001.
16- FILHO,W.J. Atividade física e envelhecimento saudável. Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.20, p.73-77, set. 2006. Suplemento n.5.
17- MCARDLE, W. D.; KATCH, F. L. & KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992.
18- SOBRINHO, J. M. S., Exercício Físico e Saúde, 1998. Disponível no site: http://www.saudetotal.com/artigos/atividadefisica/exfisico.asp. Acesso no dia 19/05/2009.

19- BOSCOLO, R.A.; SACCO ,I.C.; ANTUNES, H.K.; MELLO, M.T.; Tufik,S. Avaliação do padrão de sono,e funções cognitivas em adolescentes. Rev Port Cien Desp 7(1) 18–25,2007.
20- TAVEIRA, Y.D.A. CEOLIM, M.F. Qualidade do sono em idosos cardiopatas. XI Congresso Interno de Iniciação Cientifica da Unicamp,2003.
21- BARBOSA, G.O.; REBELATTO, J.R.; SANTANA, M.G. Influência de um programa regular de atividade física sobre a qualidade do sono de mulheres idosas. Congresso de Iniciação Científica. Anais de Eventos da UFSCar, v. 4, p. 611, 2008.
22- NETO, P. Tratado de Gerontologia. 2 ed. rev. e ampl. São Paulo: Editora Atheneu, 2007.
 23- Exercício físico: aliado das boas noites de sono http://www.einstein.br/einstein-saude/atividadefisica/Paginas/exercicio-fisico-aliado-das-boas-noites-de-sono.aspx




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

“Atividade Física e Doenças Cardiovasculares”


A atividade física é um fator importante na prevenção primária e secundária, bem como no tratamento das várias doenças cardiovasculares (1). A inatividade física tem sido considerada um fator de risco importante das doenças cardiovasculares (2). Estudos têm demonstrado que pacientes com doenças cardíacas, que participam de programas de treinamento físico regular, e que recebem orientação sobre controle dos fatores de risco para doenças cardiovasculares, apresentam menor número de eventos pós-operatórios e de reinternações hospitalares, além de redução da mortalidade (3,4).
Na década de 40, surgiram os primeiros questionamentos sobre a conduta então preconizada do repouso prolongado no leito no manejo de pacientes portadores de doenças cardiovasculares. Juntamente com os resultados obtidos das pesquisas sobre os benefícios da atividade física para o sistema cardiovascular, houve uma mudança em relação à atividade física no tratamento dos pacientes cardiopatas (5).
Kellerman criou, em 1962, em Washington, o primeiro programa de exercícios físicos direcionados a pacientes infartados e de cirurgia valvar, com duração de 16 semanas, foi um marco inicial para criação de programas de reabilitação cardíaca (5).
Em 1986, Shephard realizou uma revisão abrangente destes estudos observacionais envolvendo atividade física e doenças cardiovasculares. Grande parte deles revelou uma menor taxa de DAC e mortalidade por todas as causas, específica para idade nos grupos mais ativos. Na maioria dos casos, registrou-se um risco duas a três vezes maior associado a um estilo de vida sedentário. Esses dados foram atualizados pela revisão de Powell et al., em 1987, apoiando a inferência de que a atividade física é inversa e casualmente relacionada à incidência de doença coronariana (1).
Ultimamente, a atividade física tem sido incorporada como uma conduta terapêutica no tratamento do paciente portador de cardiopatia, associado ao tratamento medicamentoso e às modificações de hábitos alimentares e comportamentais (4,6). Em recente meta-análise, foi confirmado o efeito benéfico da reabilitação cardíaca independente do diagnóstico da doença arterial coronariana, do tipo de reabilitação e da dose de intervenção do exercício. Foi ainda evidenciado que programas baseados no treinamento físico reduzem a mortalidade cardíaca e por todas as causas, apesar de não ter sido completamente elucidado o mecanismo preciso pelo qual a terapia com exercício melhora o índice de morbidade e mortalidade em pacientes com doenças cardiovasculares (3,4,6).

Inatividade física e consequências na saúde

    O corpo humano é planejado para movimentos e atividades, inclusive de nível extenuante, todavia a atividade física de intensidade leve e moderada faça parte do estilo de vida padrão. Não se pode esperar que o organismo humano tenha funcionamento ótimo e permaneça saudável por longos períodos se ele não for adequadamente utilizado. Assim, a inatividade física levou ao incremento - ao longo dos anos – de doenças crônicas, visto que pessoas sedentárias apresentam maior chance de desenvolver enfermidades crônicas como cardiopatia coronariana, hipercolesterolemia, câncer, obesidade, distúrbios musculoesqueléticos (7). De acordo com  a AMERICAN HEART ASSOCIATION apud ESPEJO; GARCÍA (8), a inatividade física é tida como o maior fator de risco de desenvolver problemas coronarianos cuja causa mais comum de lesão é denominada de aterosclerose coronária obstrutiva. Conforme ROBERGS E ROBERTS (9) é imputada a inatividade física como uma grande contribuição na formação do processo aterosclerótico.

Atividade física e exercício físico na profilaxia de DCV

A medicina preventiva e a área da saúde pública têm focado sua atenção para os fatores de risco modificáveis capazes de favorecer o desenvolvimento de doença arterial coronariana. Dentre eles pode-se elencar a hipertensão, hipercolesterolemia, tabagismo, obesidade e sedentarismo (10). Quando o indivíduo torna-se fisicamente ativo, boa parte desses eventuais problemas de saúde podem ser atenuados, para melhorar a fisiologia humana é necessário movimento diário do corpo, ou seja, ativá-lo por meio da atividade física.

    A atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto de energia. O exercício físico é conceituado como sendo um subconjunto da atividade física de modo planejado, estruturado e repetitivo cujo efeito é de manter ou melhorar um ou mais componentes da aptidão física (capacidade de realizar atividade física) PATE et al. (11). Desde a década de 1960, estudos têm demonstrado associação inversa da atividade física e aptidão cardiorrespiratória com a ocorrência das enfermidades cardíacas (10). Segundo BERLIN; COLDITZ apud FUNCH, MOREIRA; RIBEIRO (12), a atividade física regular está associada com inúmeros benefícios à saúde, incluindo a redução da incidência de doenças cardiovasculares, como as oriundas de aterosclerose coronariana e cerebrovascular.

    Segundo HEYWARD (13), a prática de atividade física regular constitui a melhor intervenção contra o desenvolvimento de várias doenças, distúrbios e indisposições, isto é, tem efeitos na prevenção de doenças, mortes prematuras e manutenção de uma melhor qualidade de vida. Consoante PATE et al. (11), a atividade física reduz o risco de desenvolver doenças coronárias por uma série de respostas fisiológicas e metabólicas, a saber: aumento do colesterol de lipoproteína de baixa densidade, redução do triglicérides séricos, atenuação da pressão arterial, redução do risco de trombose aguda, aumento da sensibilidade à insulina e redução da sensibilidade do miocárdio aos efeitos das catecolaminas, reduzindo desta forma o risco de arritmias ventriculares.

    Então, a atividade física ou o exercício físico apazigua as chances de ocorrência de uma série de problemas de saúde, inclusive o risco de ter um ataque cardíaco. Para FOSS; KETEYIAN (14), as possíveis respostas biológicas pelas quais a atividade física promove atenuação das taxas de mortalidades cardiovasculares incluem as seguintes: maior estabilidade elétrica do miocárdio (menores concentrações de catecolaminas em repouso e durante o exercício, maior limiar de fibrilação ventricular); menor trabalho do miocárdio e demanda do oxigênio (menor frequência cardíaca e pressão arterial em repouso e durante o exercício); melhor função do miocárdio (maior contratilidade miocárdica); suprimento de oxigênio ao músculo cardíaco mantido (progressão retardada da aterosclerose em virtude da menor adiposidade e dos maiores níveis de colesterol lipoprotéico de alta densidade).

Prescrição e benefícios da atividade física e exercício físico na profilaxia das DCV

    As doenças cardiovasculares são as maiores causas de morte da população em escala mundial. Preveni-las se torna uma preocupação emergencial no âmbito do setor de saúde. Adotar medidas preventivas – por meio de um estilo de vida saudável – como: controle da pressão arterial, da massa corporal, do estresse excessivo e da prática habitual de atividade física, certamente melhora padrão de saúde e previne contra doenças. Os cientistas do exercício e profissionais de saúde afirmam que a atividade física regular constitui a melhor defesa contra o desenvolvimento de inúmeras enfermidades, distúrbios e indisposições. Desta feita, a atividade física é importante na profilaxia de doenças e óbitos prematuros (7).

    A prática regular de atividade física é considerada um relevante componente de um estilo de vida saudável, que promove um funcionamento mais eficiente dos sistemas orgânicos, especialmente no cardiorrespiratório. Essa prática é capaz de minimizar os riscos de desenvolvimento das doenças cardiovasculares (10). A atividade física – salutar para a saúde – proporciona inúmeros benefícios à saúde das pessoas. Estudos realizados por meio de investigações epidemiológicas demonstram efeitos protetores gerados pela prática de atividade física habitual, incluindo as doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes insulino não dependente, osteoporose, câncer de cólon, ansiedade e depressão (11).

    Os pesquisadores sugerem que os exercícios físicos devam ser realizados três ou mais vezes por semana com duração de cerca de 30 minutos diários, de modo intermitente ou contínuo cuja intensidade gire em torno de 3 a 6 equivalentes metabólicos (METS). A intensidade é estabelecida entre 60% a 90% da frequência cardíaca máxima ou 50% a 85% do consumo máximo de oxigênio. Atividades essas suficientes para consumir aproximadamente 200 quilocalorias diárias.

    O exercício físico é aceito como agente preventivo e terapêutico de diversas moléstias, inclusive diante das cardiovasculares (15). Este age na profilaxia e no tratamento de doenças cardiovasculares e crônicas, imputando-se aspectos de ordem benéfica e protetora (16). Consoante POLLOCK et al. (1), tanto os exercícios de resistência aeróbia quanto os exercícios resistidos podem promover benefícios significativos nas aptidões físicas relacionados à saúde (resistência aeróbia, força e resistência muscular), favorecendo melhorias na função cardiovascular, metabólica, fatores de risco coronarianos e psicossociais.

Considerações finais

     Atividades físicas e exercícios são considerados medida não medicamentosa capaz de evitar problemas mais severos de saúde, pois atua no organismo como fator benéfico e protetor contra diversas enfermidades, como: hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes millitus, obesidade e especialmente as doenças cardiovasculares. Enquanto o sedentarismo pode dobrar o risco de ser acometido por alguma ocorrência cardiovascular grave - de modo independente -, a atividade física cotidiana realizada ao menos três vezes semanais e de intensidade moderada pode favorecer melhorias na saúde e na qualidade de vida da população em geral. Os ganhos advindos desta prática podem ser obtidos tanto pela realização dos exercícios de resistência cardiorrespiratória quanto do exercício de força. Ambos devem ser componentes indispensáveis na elaboração de um programa de condicionamento, que vise melhoria do desempenho e aptidões físicas relacionadas à saúde (17).
A prática regular de atividade física tem sido recomendada não apenas para a prevenção e reabilitação das doenças cardiovasculares, mas como estratégia importante de promoção de saúde (18). Sendo assim o mais importante é realiza-las sob a supervisão de uma equipe multidisciplinar qualificada.


Referências:

1. Polock MJ, Wilmark JH. Exercícios na saúde e na doença. 2ª ed. Rio de Janeiro:Medsi;1993.
2. Diário Oficial da União. Portaria nº 1893 de 15/10/2001. Criação do programa de prevenção com atividade física. Brasília;2001.
3. Charlson ME, Isom OW. Care after coronary-artery bypass surgery. N Engl Med. 2003;348(15):1456-63
4. Hedbäck B, Perk J, Hörnblad M, Ohlsson U. Cardiac rehabilitation after coronary artery bypass surgery: 10-years results on mortality, morbidity and readmissions to hospital. J Cardiovasc Risk. 2001;8(3):153-8.
5. Silva E, Catai AM. Fisioterapia cardiovascular na fase tardia-fase III da reabilitação cardiovascular. In: Regenga MM, ed. Fisioterapia em cardiologia: da UTI à reabilitação. 1ª ed. São Paulo:Roca;2000. p.261-310.
6. Taylor RS, Brown A, Ebrahim S, Jolliffe J, Noorani H, Rees K, et al. Exercise-based rehabilitation for patients with coronary heart disease: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Med. 2004;116(10):682-92.
7. Heyward, V. H. Avaliação física e prescrição de exercício – técnicas avançadas. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
8. Espejo, F. R., García, J. E. M. Ejercicio físico y problemas coronários. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Ano 13, Nº 121, Junho de 2008. http://www.efdeportes.com/efd121/ejercicio-fisico-y- problemas-coronarios.htm
9. Robergs, R. A.; Roberts, S. O. Princípios fundamentais de fisiologia do exercício para aptidão, desempenho e saúde. São Paulo: Phorte Editora, 2002.
10. Nahas, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. Londrina: Midiograf, 2001.
11. Pate, R.R., Pratt, M, Blair, S.N, Haskell, W.L, Macera, C.A., Bouchard C, et al. Physical activity and public health. A recommendation from the Centers for Disease Control and Prevention and the American College of Sports Medicine. JAMA 1995;273(5):402-7.
12. Berlin, J. A.; Colditz, G. A. A meta analysis of physical activity in the prevention of coronary heart disease. Am J. Epidemiol, vol. 132, p. 612-628, 1990.
13. Heyward, V. H. Avaliação física e prescrição de exercício – técnicas avançadas. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
14. Foss, M. L. e Keteyian, S. J. Bases Fisiológicas do Exercício e do Esporte. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
15. Lee, I. M.; Paffenbarger, R. S. JR. Physical activity and stroke incidence: the Harvard Alumni Health Study. Stroke. Vol. 29. nº 10, p. 2049-2054, 1998.
16. Krinski, K.; Elisangedy, H. M.; Gorla, J. I.; Calegari, D. R. Efeitos do exercício físico em indivíduos portadores de diabetes e hipertensão arterial sistêmica. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Ano 10, nº 93, fev/2006. http://www.efdeportes.com/efd93/diabetes.htm
17. Medeiros, James Fernandes de. Atividade física e exercício físico e os efeitos
18. BIJNEN F, CASPERSEN C, MOSTERD W. Physical inactivity s risk factor for coronary heart disease:a WHO and International Society and Federation of Cardiology position statement. Bulletin of the World Health Organization 1994; 72: 1-4.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

“LER (lesões por esforços repetitivos) e DORT (distúrbios osteomusculares relacionadas ao trabalho) e Atividade Física”


 Introdução



No Brasil, a síndrome de origem ocupacional, composta de afecções que atingem os membros superiores, região escapular e pescoço, foi reconhecida pelo Ministério da Previdência Social como Lesões por Esforços Repetitivos (LER), por meio da Norma Técnica de Avaliação de Incapacidade (1). Em 1997, com a revisão dessa norma, foi introduzida a expressão Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

L.E.R e D.O.R.T

    LER (Lesões por Esforços Repetitivos), DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) são consideradas síndromes de dimensões sociais e econômicas que refletem diretamente na capacidade funcional do trabalhador dificultando a forma de exercer suas atividades e funções causando um grande sofrimento decorrente desse mal, gerando custos significativos para as organizações e o Estado. Nos últimos 20 anos têm aumentado progressivamente o número de pessoas afetadas pelas LER/DORT (2).
    As LER/DORT no Brasil representa o principal grupo de agravos à saúde entre as doenças ocupacionais. Trata-se de afecções com dimensões epidêmicas em diversas categorias profissionais crescente em vários países do mundo. Suas características são representadas sob diferentes formas clínicas causando questionamentos sobre os limites do papel do médico e de outros profissionais dentro da equipe de assistência, dificultando o manejo por parte de equipes de saúde e de instituições previdenciárias (3).
    O termo Lesões por Esforços Repetitivos (LER), adotado no Brasil, está sendo, aos poucos, substituído por Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Essa denominação destaca o termo distúrbio ao invés de lesões, o que corresponde ao que se percebe na prática: ocorrem distúrbios em uma primeira fase precoce, tais como fadiga, peso nos membros e dor, aparecendo, em uma fase mais adiantada, as lesões (2).

Estágios evolutivos da LER/DORT

    Para Oliveira (4) a LER/DORT pode ser classificada em quatro graus:
·         GRAU I: Sensação de peso e desconforto no membro afetado. Dor espontânea no local, às vezes com pontadas ocasionais durante a jornada de trabalho, que não interferem na produtividade. Essa dor é leve e melhora com o repouso. Não há sinais clínicos. 
·         GRAU II: Dor mais persistente e mais intensa. Aparece durante a jornada de trabalho de forma contínua. É tolerável e permite o desempenho de atividade, mas afeta o rendimento nos períodos de maior esforço. 
·         GRAU III: A dor torna-se mais persistente, mais forte e tem irradiação mais definida. Aparecem mais vezes fora da jornada, especialmente à noite. Perde-se um pouco a força muscular. 
·         GRAU IV: Dor forte, contínua, por vezes insuportável, levando ao intenso sofrimento. A dor se acentua com os movimentos, estendendo-se a todo o membro afetado.

  Agentes Causadores da DORT/LER

    Segundo o PUBLIC HEALTH INSTITUTE (5), as causas da DORT/LER seriam originadas por movimentos repetitivos e contínuos. Ele fala também que o esforço excessivo, má postura, estresse e más condições de trabalho contribuem para o aparecimento das DORT/LER. Para o autor em casos mais extremados pode ainda causar sérios danos aos tendões, dores na região afetada e consequente perda de movimentos.
    Strazenwski (6) concorda com o autor acima citado e acresce afirmando que as principais causas da DORT/LER seriam:

. Ambiente de trabalho desconfortável;
. Atividades que exigem força excessiva com as mãos;
. Posturas incorretas;
. Repetições de movimentos;
. Atividades esportivas que exigem grande esforço dos membros superiores;
. Ritmo intenso de trabalho;
. Jornada de trabalho prolongada ou dupla jornada.
Seguindo o autor, todos estes fatores seriam responsáveis por desencadear um processo evolutivo da doença até chegar ao ponto, onde o indivíduo não suportaria mais as dores, tendo que se afastar do serviço.

 Shain (7) estudou os benefícios e efeitos percebidos por trabalhadores logo após a prática de ginástica laboral e identificou os tipos de DORT/LER mais frequentes nos trabalhadores. Segundo ele seriam descritas em ordem de importância desta forma:
·         BURSITE – Seria a inflamação das bursas (pequenas bolsas de paredes muito finas encontradas entre os ossos e os tendões das articulações dos ombros);
·         CISTOS SINOVIAIS – São tumefações esféricas, únicas, macias, indolores e flutuantes que ocorrem devido ao alto grau de degeneração mixóide do tecido sinovial periarticular ou peritendíneo. São encontrados com maior frequência na face extensora do carpo. Seu aparecimento é ocasionado por trabalhos manuais que exijam muita força.
·         DEDO EM GATILHO ou também conhecido como (Tenossinovite Estenosante) – Ela é causadora da impossibilidade de se estender o dedo devido estreitamento da passagem dos tendões flexores aumentando o atrito destes, provocando inflamação local.
·         DISTROFIAS SIMPÁTICOS – REFLEXAS: São dores intermitentes provocando atrofia muscular da região. Promovem a restrição articular, porosidade óssea e impotência de funcionamento do sistema muscular, quando não tratada a tempo.
·         DOR ÁLGICA MIOFACIAL – Esta é caracterizada pela contração prolongada dolorosa dos músculos, pela prática de atividade extenuante ou stress emocional.
·         EPICONDILITE – É encontrada no cotovelo provocando a inflamação das estruturas do mesmo. É caracterizada por ruptura ou estiramento das membranas interósseas, ocasionando uma inflamação capaz de atingir tendões e músculos. Acontece ao nível dos epicôndilos laterais, também conhecidas como “tennis elbow”, que significa cotovelo de tênis, comum em fisiculturistas que carregam muito peso, e até mesmo em trabalhadores artesanais ou donas de casa.
·         SÍNDROME CÉRVICO-BRAQUIAL – É a compressão do nervo braquial ou tensão muscular da coluna cervical.
·         SÍNDROME DO DESFILADEIRO TORÁCICO – Neste caso seria a compressão do feixe do vásculo-nervoso num estreito triângulo formado pelos músculos escaleno anterior e médio juntamente com a primeira costela. Ocorre em trabalhadores que mantêm os braços elevados por períodos prolongados ou que comprimem o ombro contra algum objeto. Podemos citar como exemplo, o uso prolongado e diário de telefone apoiado entre a orelha e o ombro.
·         SÍNDROME DO PRONADOR REDONDO – É a compressão do nervo mediano, abaixo da junção do cotovelo, entre os dois ramos do músculo pronador redondo ou dos tecidos que revestem o bíceps ou na arcada dos flexores dos dedos.
·         TENDINITE – Seria a inflamação aguda ou crônica dos tendões. Encontrada com maior freqüência nos músculos flexores dos dedos pela movimentação freqüente e período de repouso insuficiente da musculatura envolvida. Manifesta-se, através da dor na região que é agravada por movimentos voluntários, apresentando edema e crepitação na região, sendo ele de dois tipos: Tendinite Bicipital e Tendinite do Supra-Espinhoso.
·         TENDINITE BICIPITAL – É a inflamação do tendão do bíceps, provocada por atividades repetitivas, exercícios musculares intensos ou de trauma dos ombros.
·         TENDINITE DO SUPRA ESPINHOSO – É a inflamação do tendão do músculo supra espinhoso em torno da articulação do ombro pela atividade repetida do braço.
·         TENOSSINOVITE – Esta seria a inflamação aguda ou crônica das bainhas dos tendões. Assim como a tendinite os dois principais fatores causadores da lesão são: movimentação frequente e período de repouso insuficiente.
·         SÍNDROME DE QUERVAIN – É o fechamento doloroso da bainha comum dos tendões do longo abdutor do polegar e do extensor curto do polegar. Estes tendões correm dentro da mesma bainha; quando friccionados, costumam inflamar-se. O principal sintoma é a dor muito forte, no dorso do polegar.
·         SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO (STC) – Seria a compressão do nervo mediano no túnel do carpo. As causas mais comuns deste tipo de lesão são a exigência de flexão do punho, a extensão do punho e a tenossinovite ao nível do tendão dos flexores.
·         SÍNDROME DO CANAL DE GUYON – É a compressão do nervo ulnar ao nível do chamado canal de Guyon no punho, causando distúrbio de sensibilidade no quarto e quinto dedos e ocasionando distúrbios motores na face palmar.


O Papel da Atividade Física:

Adams et al (8), diz que a identificação, o tratamento e a prevenção dos riscos a que são submetidos os trabalhadores, dentro e fora do trabalho, devem fazer parte, como principal fator, de um programa de prevenção das lesões por esforços repetitivos. O (9), estabelece que é de competência do empregador a realização da análise ergonômica do trabalho para avaliar a adaptação das condições laborais às características psicofisiológicas do trabalhador.
As pesquisas já demonstram que existem ganhos significativos para a saúde quando uma pessoa adere a um programa de exercícios físicos. Mostram também que essa é a melhor forma de prevenção a patologias crônicas e agudas, pois estimula de uma forma positiva o sistema osteomuscular, cardiorrespiratório, e ainda traz benefícios psíquicos. A prática de atividade física regular está associada à redução do risco de desenvolvimento de diversas doenças crônicas, muitas das quais causas principais de morte prematura e dependência funcional em vários países do mundo, inclusive o Brasil (10).

As definições da Ginástica Laboral:

        A ginástica laboral pode ser entendida, de acordo com o que diz Lima (11), como um conjunto de práticas físicas, elaborados de acordo com o tipo de trabalho realizado na empresa, com o objetivo de compensar as estruturas mais utilizadas no trabalho e ativar as que não são requeridas, relaxando-as.
    Dessa forma, de acordo com Duarte (12) se pode considerar a ginástica laboral como um meio de prevenção para as doenças ocupacionais como LER/ DORT, estresse e depressões assim como forma de sociabilizar os funcionários para que, os mesmos tenham uma convivência prazerosa, uma autoestima elevada e um autoconhecimento maior.
    Para Oliveira (4) a ginástica laboral tem como finalidade fundamental a prevenção e diminuição dos casos de DORT. De acordo com Duarte (12) a ginástica laboral também pode ser implantada como uma intervenção ergonômica, já que a mesma proporciona benefícios para a saúde dos funcionários que a praticam.
    A ginástica laboral por ser um programa de curta duração e de baixa intensidade não leva o trabalhador ao cansaço e não provoca sudorese, pois a mesma respeita o tipo de vestimenta que os funcionários utilizam para executar seu trabalho, assim como suas individualidades e restrições.
    Segundo Martins (13), a ginástica laboral apenas classifica-se em preparatória (antes da jornada de trabalho) e compensatória (durante/após o trabalho). De acordo com ele a ginástica laboral preparatória é mais indicada para os trabalhadores com tarefas que se utilizam de força em seus movimentos, para que ocorra aquecimento músculo articular e posteriormente, aumento da circulação sanguínea periférica. Por sua vez, a ginástica laboral compensatória deve conter alongamento estático a fim de ativar os grupos musculares mais utilizados durante o dia-a-dia laboral. As ginásticas realizadas nos finais do expediente também podem ser chamadas de ginástica de relaxamento.


Considerações finais:

     É possível concluir que a prevenção da DORT/LER se torna muito importante na medida em que o trabalhador, independente da atividade exercida esteja sempre sujeito a doenças independendo de sua atividade.
    A prevenção sem dúvidas vem se tornando a melhor e mais barata alternativa do setor empresarial para minimizar ou até mesmo evitar a doença, fazendo com que estes empresários melhorem o ambiente laborativo através de medidas de segurança, ergonômicas e principalmente melhorando a qualidade de vida no trabalho.
    Desta forma com a inclusão de medidas de conscientização, os gastos com indenizações por invalidez, afastamento do trabalho, ou substituições de funcionários tendem a diminuir muito, além é claro de auxiliar na diminuição do absenteísmo e dos acidentes laborais, o que poderia levar a um aumento gradual da produtividade nas empresas.
    Quanto a prevenção seria não só incluir um programa de atividades físicas para os funcionários, mas sim tentar evitar a doença de todas as formas, e que para isso seria imprescindível que fosse realizada uma análise ergonômica dos postos de trabalho, seguida da adequação destes locais de trabalho em função de cada pessoa.
     É praticamente uma unanimidade entre os autores que a diminuição dos índices de doenças ocupacionais possui relação direta com o condicionamento físico do funcionário, onde se melhorado, acontecerá à inexistência ou a diminuição do aparecimento de doenças decorrentes do labor (14).
Pode-se concluir a relevância da Ginástica Laboral (GL) no ambiente de trabalho, por prevenir alguns distúrbios osteomusculares como a LER/DORT, além de ser uma proposta interessante, que vem produzindo efeitos positivos no combate ao sedentarismo e suas consequências, conscientizando os trabalhadores sobre a importância da movimentação natural do corpo, conservação da postura e sua saúde, tão fundamentais para o desempenho profissional e a harmonização no ambiente de trabalho bem como um fator satisfatório para a maioria das empresas que através da G.L. investe na melhoria da imagem da instituição junto aos empregados e a sociedade, contribuindo para a manutenção do bem estar físico mental e social de seus colaboradores gerando assim um aumento de produtividade (15).


Referências Bibliográficas:

1-      L.E.R. Lesões por Esforços Repetitivos. Normas técnicas para avaliação da incapacidade. Brasília: INSS/CGSP; 1991.
2-      RAGASSON, C. A. P.; LAZAROTTO, E. L.; RUEDELL, A. M. / RUEDELL, A. Estudo das condições de trabalho. In: 2 Seminário Nacional Estado e Políticas Sociais no Brasil, 2005, Cascavel
3-      MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de investigação, diagnóstico, tratamento e prevenção de LER/DORT. Secretária de Políticas de Saúde. Brasília, 2000.
4-      OLIVEIRA, J. R. G. A Prática da Ginástica Laboral. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Sprint, v. 01. 133, 2006.
5-      PUBLIC HEALTH INSTITUTE - CALIFORNIA DEPARTMENT OF HEALTH SERVICES. The California 5 a Day Campaign.
6-      STRAZENWSKI, L. Wellness programs. Rough Notes, Indianapolis v.146, n.3; p.134- 135, Mar. 2003.
7-      SHAIN, M; KRAMER, D. M. Health promotion in the workplace: framing the concept; reviewing the evidence. Occupational Environmental Medicine [S.l.], 61, p.643-648, 2004.
8-      ADAMS et al., Princípios of Neurology, 6th Ed, p. 1360; Pain 1995 oct; 63 (1): 127-33).
9-      UNITED STATES DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES. The power of prevention: reducing the health and economic burden of chronic disease. Atlanta (GA/USA): Centers for Disease Control and Prevention, 2003. 12 p.
10-  Barros, M. V. G. e Santos, S. G. - A atividade física como fator de qualidade de vida e saúde do trabalhador - núcleo de pesquisa em atividade física e saúde - CDS/UFSC.
11-  LIMA, Valquiria de. Ginástica Laboral: atividade física no ambiente de trabalho. 2ed. São Paulo: Phorte, 2005.
12-  DUARTE, M. de F. Efeitos da ginástica laboral em servidores da Reitoria da UFSC. In: Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v.8,n.4, p.07-13, set. 2000.
13-   MARTINS, Caroline de Oliveira. Repercussão de um programa de ginástica laboral na qualidade de vida de trabalhadores de escritório. 2005. 184f. p. 21-82. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Centro Tecnológico, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2005.
14-  Araújo et al. DORT/LER: um olhar conscientizador e prevencionista. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 138 - Noviembre de 2009
15-  Azevedo, P. G. de. e Granado, S. O. A importância da ginástica laboral na prevenção de LER/DORT. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 148, Septiembre de 2010. http://www.efdeportes.com/.