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Fdeandrea Atividade Física e Saúde

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domingo, 27 de janeiro de 2013

“Os Benefícios da Corrida”


A corrida de rua, modalidade esportiva também conhecida como pedestrianismo, é uma prática cultural que mais tem se desenvolvido nos principais centros urbanos do mundo. Originada na Inglaterra do século XVIII, obteve popularidade principalmente após maratona1 realizada nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Atenas, 1896. Considerado como o mais comum e praticado dos exercícios físicos, a corrida está associada à promoção de um estado de euforia em seus praticantes e ao prazer em competir e vencer (1).

A partir da década de 1970, nos Estados Unidos, principalmente com o advento do jogging e a contribuição decisiva do Dr. Kenneth Cooper que o desenvolvimento da modalidade alcançou índices surpreendentes e a sua expansão ocorreu na direção de vários países. No Brasil, tomou impulso a partir de meados da década de 1990 e se consolidou, definitivamente, nos últimos dez anos, com modalidade esportiva e prática cultural urbana que mais tem evoluído em número de participantes ou em eventos realizados.

  O sucesso da corrida de rua e o lugar de destaque que ocupa dentre as práticas culturais urbanas na atualidade são decorrentes de diversos fatores, que tanto podem ter como causa a sua popularização ou a sua elitização. Pode tratar-se de algo objetivado, um produto das invenções históricas gerados pelas metamorfoses culturais dos gostos, que promove a paixão súbita pelo reencontro fantástico entre uma espera e a sua realização (2), como uma oferta irrecusável que preenche a lacuna de uma possível associação entre vida saudável e competitividade.

Ressaltando que a partir dos anos 2000, a corrida de rua virou uma febre no Brasil e no mundo, com milhares e milhares de adesões por ano.

O efeito mais óbvio da corrida é que ela queima calorias e aumenta a taxa metabólica — o ritmo no qual o corpo usa energia. Isso pode ajudar no controle do peso. Correr também tonifica os músculos, principalmente na parte inferior do corpo. Estar tonificado e em forma facilita a realização de outras atividades físicas. Mas a corrida, ou qualquer outra forma regular de exercício, também afeta outros sistemas do corpo.
A corrida é uma forma de exercício aeróbico — a frequência cardíaca aumenta durante a atividade. Quando a frequência cardíaca aumenta, todo o sistema cardiovascular (coração e vasos sanguíneos) se exercita. Exercícios regulares fazem o sistema cardiovascular trabalhar de forma mais eficiente. Mas o que isso significa? O coração é um músculo. Portanto, quando a frequência cardíaca aumenta durante o exercício, o coração se exercita. Os exercícios regulares deixam o coração e as outras partes do sistema cardiovascular mais forte, e as ajudam a trabalhar com mais eficiência. O coração bombeia mais sangue a cada batida. Isso, por sua vez, ajuda os vasos sanguíneos a reterem elasticidade. O maior volume de sangue também carrega mais oxigênio dos pulmões para outras partes do corpo. Os pulmões também se exercitam, em função do aumento da frequência respiratória durante uma corrida.

Mas por que esses efeitos são importantes? O controle do peso desempenha um papel fundamental na prevenção do diabetes tipo 2, doença na qual os açúcares dos alimentos não são adequadamente metabolizados. A incidência dessa doença está aumentando drasticamente em todo o mundo, principalmente em países sob rápida industrialização. Pessoas com diabetes têm maior probabilidade de desenvolver doenças renais e cardiovasculares, cegueira, gangrena e outras doenças.

Os exercícios regulares reduzem a pressão arterial, ajudando assim a controlar a hipertensão (alta pressão arterial). Os exercícios também aumentam o bom colesterol (lipoproteínas de alta densidade, ou HDL) e reduz o mau colesterol (lipoproteínas de baixa densidade, ou LDL), o tipo de colesterol que se acumula nas artérias. Tudo isso ajuda a prevenir ataques cardíacos e derrames, além de outras doenças cardiovasculares.

Outra vantagem da corrida é que ela é um exercício de impacto, no qual a força dos músculos sobre os ossos ajuda a aumentar a densidade óssea. Isso deixa os ossos mais fortes e mais saudáveis.


Treinamento de Resistência Aeróbica (longas distâncias)

Geralmente entende-se por resistência a capacidade psicofísica do esportista em suportar a fadiga. (3)

Este treinamento deve ser elaborado de forma a proporcionar uma sobrecarga cardiovascular suficiente para estimular aumentos no volume de ejeção e no débito cardíaco. Essa sobrecarga deve ser realizada com os grupos musculares apropriados, de forma a aumentar simultaneamente a circulação local e o "maquinismo metabólico' dentro dos músculos específicos, ou seja, os ciclistas devem pedalar, os nadadores devem nadar e os corredores devem naturalmente correr (princípio da especificidade). Séries curtas de exercícios repetidos (treinamentos intervalados), Fartlek, assim como trabalho contínuo de longa duração (treinamento contínuo), aumentam a capacidade aeróbica desde que o exercício seja intenso suficiente para sobrecarregar o sistema aeróbio.

Treinamento Intervalado (ou Interval Training): É um método que consiste no aumento de intensidade de treino fracionado em tempos de descanso, em uma ou várias sessões. Visa ter um espaçamento correto dos períodos de exercício e repouso, realizando uma quantidade enorme de trabalho que, normalmente, não poderia ser completada numa sessão em que o exercício fosse realizado continuamente. As séries repetidas de exercícios podem variar desde poucos segundos até vários minutos ou mais, de acordo com o objetivo. Podendo ser modificada em termos de intensidade e duração dos intervalos de exercícios, da duração e tipo de intervalo de recuperação, do número de intervalos de trabalho (repetições) e do número de blocos de repetições (séries) por sessão.
Esse método é vantajoso no sentido de permitir um exercício intermitente de alta intensidade por um período relativamente longo, oferecer opções flexíveis para desenvolver os sistemas de transferência energética anaeróbios e aeróbios conjuntamente e ainda de dar ao organismo um tempo para se recompor de um esforço mais intenso e ainda ter chances de reidratar.
Hoje o treinamento intervalado na corrida, em geral, compõem-se de tiros de 100 e 400 metros, com intervalos de 30 a 90 minutos de trote, até 60 repetições.
O intervalo de recuperação recomendado permite que o intervalo de exercício subsequente comece antes de a recuperação ser completa. Isso assegura que o estresse circulatório e metabólico aeróbio alcance níveis quase máximos, apesar de os intervalos de exercícios serem relativamente curtos. Com períodos mais longos de exercício intermitente, existe tempo suficiente para os ajustes metabólicos e circulatórios; nestas condições, a duração do intervalo de repouso não é tão crucial.
Com base nestas informações, você mesmo pode planejar seu programa de corrida usando este método. Se quiser correr 40 minutos seguidos e ainda não teve "pick" para isso, faça 4 percursos de 10 minutos com intervalos de 5 para descanso ,mas este descanso deve ser sempre ativo: caminhando ou trotando, a fim de obter ganhos aeróbios.
Treinamento Contínuo
: Consiste num exercício cadenciado, realizado com uma intensidade aeróbica moderada de alta (60-80% do VO2 máx.) por um período de longa duração. A cadência exata pode variar mas a intensidade deve ser suficiente para assegurar uma adaptação fisiológica. Foi esboçado um limiar de treinamento para este ganho: A zona alvo de treinamento. Este tipo de treinamento é considerado submáximo, portanto pode-se treinar por um tempo considerável com bastante conforto. Por causa do perigo de treinamentos intervalados para cardiopatas, por ser um exercício extenuante, o treinamento contínuo é particularmente adequado aos que estão apenas começando um programa de exercícios. Quando aplicado no treinamento atlético é feito realmente com distâncias excessivas, com a maioria dos atletas percorrendo distâncias 2-5 vezes acima da distância da prova real. Acredita-se que este

treinamento de distâncias excessivas produz as maiores adaptações aeróbias, tanto na circulação central quanto nos tecidos periféricos. Em geral a sobrecarga é conseguida aumentando-se a duração do exercício, porém a intensidade do esforço só deverá aumentar progressivamente à medida que são obtidos os aprimoramentos induzidos pelo treinamento.
A vantagem deste treinamento é permitir que se treine com a mesma intensidade da competição real, com adaptações em nível celular, contrastando com o treinamento intervalado por impor um estresse desproporcional às fibras musculares de contração rápida; pois não são as fibras recrutadas na competição de endurance.


Treinamento Fartlek: Fartlek significa em sueco "jogo de velocidades”. Foi introduzido nos Estados Unidos nos anos 40 e consiste em um treinamento feito ao ar livre num terreno natural, realizado tanto com velocidades rápidas quanto lentas, através de um trajeto tanto plano quanto montanhoso. Neste método não é necessário um sistema de manipulação de séries de trabalho e recuperação. Ao invés disso, o praticante baseia seu treinamento em "como se sente" no momento. Se executado corretamente, este treinamento vai desenvolver um ou todos os sistemas energéticos. Apesar deste método não permitir uma quantificação de treinamento, ele se presta maravilhosamente no condicionamento geral ou treinamento fora de temporada, assim como para manter certa "liberdade“ e variedade nas sessões.

Até hoje não se sabe se existe um método melhor que o outro para aprimorar a capacidade aeróbica. Qualquer metodologia conduz ao sucesso; Provavelmente cada uma delas acima pode ser utilizada em sistema de rodizio e com o objetivo de modificar o treinamento e conseguir um ambiente psicológico mais agradável (4).





Treinamento Anaeróbio (corridas de curta distância)


A capacidade de persistir em um exercício explosivo por curtos períodos de tempo que vão até 60 segundos, dependendo essencialmente, do ATP, é gerada pelos sistemas anaeróbios de energia imediatos e em curto prazo. Os exercícios contam quase exclusivamente com a energia derivada pela reserva muscular de fosfatos. As reservas de fosfato podem ser sobrecarregada engajando músculos específicos em explosões máximas e repetidas de esforço por 5-10 seg. sendo sua recuperação rápida, ou seja, uma série subsequente de exercícios pode ser iniciada após um período de repouso de 30-60 segundos. Essa técnica de esforço e descanso (treinamento intervalado)
é excelente para condicionamento anaeróbio.


Ácido Láctico: à medida que a duração do esforço máximo (explosivo) ultrapassa 10 seg. a dependência dos fosfatos diminui ao mesmo tempo em que a quantidade de energia anaeróbica gerada pela glicólise aumenta. Com o objetivo de aumentar a capacidade de liberação de energia anaeróbica pelo sistema energético em curto prazo do ácido láctico, o programa de condicionamento fisiológico deve concentrar neste aspecto do metabolismo energético.

 O treinamento anaeróbio intenso é psicologicamente exaustivo e requer muita motivação. Séries repetidas de até um minuto de corrida encerradas até 30 seg antes da sensação subjetiva da exaustão faz com que o ácido láctico aumente até níveis quase máximos. Cada série deve ser repetida após 3- 5 minutos de recuperação e várias repetições causam o acúmulo de lactato e resulta em níveis de ácido lático mais alto que em um esforço prolongado até a exaustão.

 Nas corridas de velocidades, formas convenientes de treinamento podem influenciar, retardando o momento em que a fadiga ocorra, sobretudo com o aumento das reservas de fosfato. O valor máximo para que isso ocorra é na fase máxima da velocidade prolongada(3).

 Segundo Ballreich (5), para melhorar a performance de uma corrida de velocidade é importante treinar cada parte da mesma que seria em 3 seg destribuidos assim:

 Velocidade de Sprint e Aceleração do Sprint (2,6 s), Resistência do sprint (0,3 s)e Velocidade de reação (0,1)


Velocidade de Reação: Deve ser trabalhada junto com o treinamento de aceleração. Deve ser treinados conteúdos do tipo: exercícios de partida, diferentes posições iniciais, pequenos jogos, revezamentos com reação rápida e as partidas específicas de competição. Empregando estímulos sonoros como palmas, tiros, apelos, apitos, fazendo com que o atleta se habitue para a competição.
Aceleração do Sprint: A técnica de partida e força de explosão acentua o nível do grau de aceleração. Para treiná-la, são oferecidos como conteúdo: todas as formas de exercícios de partida, saltos breves (pés juntos, em uma perna, simples, triplos - todos têm uma relação estreita com um bom comprimento da passada), saltos longos (saltos com impulso de 30,60,100 m e mais). A aplicação simultânea de saltos breves e longos apresenta um aumento quase igual da aceleração para a partida, da velocidade máxima de corrida e de resistência de velocidade. Produzindo um maior progresso em corridas de 100 m.


Exercício aeróbio e emagrecimento


    Exercícios onde há o predomínio do metabolismo aeróbio podem ser caracterizados como caminhadas, corridas, ciclismo, natação, dentre outros, de intensidades e volume variados e normalmente com uma característica contínua. Durante a execução do exercício aeróbio, o metabolismo utiliza-se da via oxidativa para o fornecimento de ATP, tendo a carboidratos e gordura como principal substrato energético (6). Durante o exercício aeróbio, há um rápido consumo de ácidos graxos livres na musculatura em atividade, no começo do exercício, com atraso na mobilização do tecido adiposo. Imediatamente após o trabalho, a mobilização dos ácidos graxos livres do tecido adiposo que ainda perdura, excede o consumo de ácido graxos livres na musculatura, promovendo a lipólise do adipócito e aumentando os níveis de ácidos graxos livres no plasma (7).
    Durante o exercício aeróbio a variável intensidade é um parâmetro muito utilizado como estratégia para maximizar o gasto energético e a mobilização de substrato, sendo que quanto mais intenso maior o gasto calórico do treino e menor a contribuição da gordura como combustível durante o exercício, segundo posicionamento do ACSM 2001, um homem de 70 Kg, correndo a uma velocidade média de 18 Km/h, tem um gasto energético de 9.0 METS, ou 10,8 Kcal/min, equivalente a 648 Kcal/hora de treino.
    Alguns autores (8) citam intensidades entre 65% e 75% da frequência cardíaca máxima como zona alvo para uma maior mobilização de lipídeos como fonte de energia, e os carboidratos em intensidades acima de 75% parecem ser o principal combustível utilizado.
    Outros autores ainda apresentam a teoria da zona de máxima oxidação de gorduras (FAT MAX zone), estabelecida aproximadamente entre 55 e 72% do Vo2 máx, de modo que uma intensidade moderada de exercício aeróbio é apresentada como zona de trabalho eficiente para uma maior utilização de gordura corporal durante o exercício (9).
    Um trabalho realizado entre 50% e 85% do consumo máximo de oxigênio corresponde a uma zona alvo para adaptações cardiovasculares e conseqüente melhora do condicionamento cardiorrespiratório (10).
    Dentro as recomendações da prática de exercício, o gasto energético total relacionado a um esquema de treinamento representa um dos principais fatores na redução e controle ponderal. Para tanto, recomen
recomenda-se atividades de aeróbias generalizadas, tais como exercícios de caminhada, corrida, ciclismo e natação, com uma característica contínua, numa freqüência semanal de 3 a 5 dias por semana, entre 60 a 90% da FCmáx, cuja sessão tenha a duração entre 20 a 60 minutos contínuos (10).

    Torbjorn Akerfeldt, um pesquisador sueco diz em seus estudos ser possível solicitar três vezes mais gordura se exercitando pela manha em jejum comparado com a mesma atividade realizada no período da tarde após as refeições, lembrando-se de respeitar a intensidade (steady state) 65 – 75% FCmax (11).

    Porém, o condicionamento aeróbio em si nada tem a ver com o gasto energético em repouso. Mesmo maratonistas com alto volume de treinamento aeróbio semanal não apresentam alterações no metabolismo de repouso, o qual se relaciona diretamente com o ganho de massa muscular (10).


Alimentação nos exercícios prolongados e intensos


Os atletas que treinam para exercício de endurance tipo corrida de longa distância experimentam um tipo de fadiga crônica, no qual os dias sucessivos de treino duro se tornam extremamente mais difíceis. Esta "estafa” pode estar relacionada com a depleção gradual de reservas corporais de carboidratos, observada com o treinamento extenuante e repetido, até mesmo quando a dieta do atleta contém o percentual recomendado de carboidratos. Ela ocorre quando o exercício é realizado até o ponto em que o glicogênio no fígado e nos músculos ativos sofre uma redução intensa, até mesmo quando existe O2 para os músculos e a energia proveniente da gordura armazenada continua quase ilimitada.

Na corrida de longas distâncias, o combustível utilizado é o glicogênio, que está relacionado à ingestão de carboidratos. Alguns pesquisadores recomendam aumentar a ingestão dietética de carboidratos para 70% das calorias ingeridas ou mais, a fim de se evitar a depleção de reservas corporais de glicogênio e induzir uma preservação de proteínas com os dias sucessivos de treinamento árduo (4). Com o treinamento mais moderado, a ingestão pode ser reduzida para 50-60% de carboidratos.

Mesmo que o indivíduo tenha uma dieta rica em carboidratos, deve ingerir pelo menos 48 horas antes para restaurar os níveis musculares de glicogênio após o exercício prolongado e exaustivo, apesar do glicogênio hepático ser restaurado rapidamente. Alguns indivíduos, podem até levar mais de 5 dias para restabelecer os níveis musculares de glicogênio , quando a dieta contém quantidades moderadas de carboidrato. Isso certamente proporciona uma justificativa nutricional de alguns técnicos e treinadores reduzirem gradualmente ou minorar a intensidade das sessões de treinamento vários dias antes de uma competição.
 No exercício intenso, o glicogênio muscular armazenado e a glicose carreada pelo sangue constituem os principais fornecedores de energia nos primeiros minutos do exercício, nos quais o fornecimento de O2 não satisfaz as demandas do metabolismo aeróbio, assim como durante um exercício de alta intensidade. Durante o estágio inicial do exercício, a captação de glicogênio sanguíneo circulante pelos músculos aumenta bruscamente e continua aumentando à medida que o exercício progride. Por volta do décimo quarto minuto de exercício, a captação de glicose aumenta até entre 7 e 20 vezes a captação em repouso, dependendo da intensidade do exercício. O aumento na contribuição percentual de carboidratos durante o exercício intenso é explicado, pelo fato de ser o único nutriente que fornece energia quando o oxigênio fornecido aos músculos é insuficiente em relação às necessidades de O2.
  Uma das funções da glicose sanguínea é fornecer energia para o sistema nervoso central e ativar o metabolismo das gorduras (4).


Conclusão

A corrida além de ser um ótimo exercício para redução de gordura corpórea e a promoção da saúde e bem-estar, é também um grande modo de agregação social, haja visto o grande número de grupos de corrida que tem surgido nos últimos tempos em empresas, condomínios e etc.

A corrida de rua proporciona aos corredores a possibilidade de uma experiência urbana distinta daquilo que se observa na regularidade do cotidiano (a rua como incessante fluxo de carros, pessoas que se esbarram e não se percebem, local de exposição de mercadorias, oportunidades), pois ela transforma a rua em espaço público aberto à participação popular – um suporte para a sociabilidade urbana.
    Pensar a corrida de rua como expressão de uma experiência urbana que se manifesta como prática cultural, para além de uma modalidade esportiva, é a possibilidade de compreender seus significados sociológicos e antropológicos. Para tanto, torna-se fundamental que a corrida de rua seja vista como símbolo representativo de valores, condutas, usos e costumes que se manifestam no contexto de uma pluralidade sociocultural tipicamente urbana.

    Para o profissional da Educação Física, é neste contexto que uma nova perspectiva deve ser adotada diante do fenômeno corrida de rua. Uma abordagem que lhe seja capaz de superar a condição de simples orientador técnico e, com uma participação observante, transformar o familiar em estranho, superar o senso comum e fazer da corrida um instrumento para o autoconhecimento e para a liberdade da busca de si mesmo (12).




Referências:


1-    NEWSHOLME, Eric. Corrida: ciência do treinamento e desempenho. São Paulo: Phorte Editora, 2006.

2-    BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1993.

3-    WEINECK, J. Manual do treinamento esportivo. 2a edição. São Paulo: Manole, 1989.

4-    McARDLE, W.D.; KATCH, F.I. Nutrição, exercício e saúde. 4.ed. Rio de Janeiro, MEDSI, 1994.

5-    BALL REICH, R. Grundlagem sportmotorischer testes, Frankfurt, 1970.

6-    FOX , E.L.; BOWERS, R.W.; FOSS, M.L. Bases fisiológicas da educação física e dos desportos. Tradução de Giuseppe Taranto. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 1992.

7-    HOLLMANN, W.; HETTINGER, T. Medicina do esporte: fundamentos anatômico-fisiológicos para a prática esportiva. 4.ed. São Paulo: Manole, 2005.

8-    CAMPOS, M.A. Musculação: diabéticos, osteporóticos, idosos, crianças, obesos. Rio de Janeiro: Sprint; 2001.

9-    JUUL ACHTEN, MICHAEL GLEESON, and ASKER E. JEUKENDRUP. Determination of the exercise intensity that elicits maximal fat oxidation. MEDICINE & SCIENCE IN SPORTS& EXERCISE®Copyright © 2002 by the American College of Sports Medicine.

10-  POLLOCK, M.L.; WILMORE, J.H. Exercícios na saúde e na doença. Tradução de Maurício Leal Rocha. 2.ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 1993.

11-  THORNTON, M.K.; POTTEIGER, J.A. Effects of resistence exercise bouts of different intensities but equal work on EPOC. Medicine and Science in Sports and Exercise, 34(4):715(22), 2002.
  12- Augusti, M.; Aguiar, C.M. Corrida de rua e sociabilidade. http://www.efdeportes.com/efd159/corrida-de-rua-e-sociabilidade.htm





sexta-feira, 9 de novembro de 2012

“Atividade Física e Doenças Cardiovasculares”


A atividade física é um fator importante na prevenção primária e secundária, bem como no tratamento das várias doenças cardiovasculares (1). A inatividade física tem sido considerada um fator de risco importante das doenças cardiovasculares (2). Estudos têm demonstrado que pacientes com doenças cardíacas, que participam de programas de treinamento físico regular, e que recebem orientação sobre controle dos fatores de risco para doenças cardiovasculares, apresentam menor número de eventos pós-operatórios e de reinternações hospitalares, além de redução da mortalidade (3,4).
Na década de 40, surgiram os primeiros questionamentos sobre a conduta então preconizada do repouso prolongado no leito no manejo de pacientes portadores de doenças cardiovasculares. Juntamente com os resultados obtidos das pesquisas sobre os benefícios da atividade física para o sistema cardiovascular, houve uma mudança em relação à atividade física no tratamento dos pacientes cardiopatas (5).
Kellerman criou, em 1962, em Washington, o primeiro programa de exercícios físicos direcionados a pacientes infartados e de cirurgia valvar, com duração de 16 semanas, foi um marco inicial para criação de programas de reabilitação cardíaca (5).
Em 1986, Shephard realizou uma revisão abrangente destes estudos observacionais envolvendo atividade física e doenças cardiovasculares. Grande parte deles revelou uma menor taxa de DAC e mortalidade por todas as causas, específica para idade nos grupos mais ativos. Na maioria dos casos, registrou-se um risco duas a três vezes maior associado a um estilo de vida sedentário. Esses dados foram atualizados pela revisão de Powell et al., em 1987, apoiando a inferência de que a atividade física é inversa e casualmente relacionada à incidência de doença coronariana (1).
Ultimamente, a atividade física tem sido incorporada como uma conduta terapêutica no tratamento do paciente portador de cardiopatia, associado ao tratamento medicamentoso e às modificações de hábitos alimentares e comportamentais (4,6). Em recente meta-análise, foi confirmado o efeito benéfico da reabilitação cardíaca independente do diagnóstico da doença arterial coronariana, do tipo de reabilitação e da dose de intervenção do exercício. Foi ainda evidenciado que programas baseados no treinamento físico reduzem a mortalidade cardíaca e por todas as causas, apesar de não ter sido completamente elucidado o mecanismo preciso pelo qual a terapia com exercício melhora o índice de morbidade e mortalidade em pacientes com doenças cardiovasculares (3,4,6).

Inatividade física e consequências na saúde

    O corpo humano é planejado para movimentos e atividades, inclusive de nível extenuante, todavia a atividade física de intensidade leve e moderada faça parte do estilo de vida padrão. Não se pode esperar que o organismo humano tenha funcionamento ótimo e permaneça saudável por longos períodos se ele não for adequadamente utilizado. Assim, a inatividade física levou ao incremento - ao longo dos anos – de doenças crônicas, visto que pessoas sedentárias apresentam maior chance de desenvolver enfermidades crônicas como cardiopatia coronariana, hipercolesterolemia, câncer, obesidade, distúrbios musculoesqueléticos (7). De acordo com  a AMERICAN HEART ASSOCIATION apud ESPEJO; GARCÍA (8), a inatividade física é tida como o maior fator de risco de desenvolver problemas coronarianos cuja causa mais comum de lesão é denominada de aterosclerose coronária obstrutiva. Conforme ROBERGS E ROBERTS (9) é imputada a inatividade física como uma grande contribuição na formação do processo aterosclerótico.

Atividade física e exercício físico na profilaxia de DCV

A medicina preventiva e a área da saúde pública têm focado sua atenção para os fatores de risco modificáveis capazes de favorecer o desenvolvimento de doença arterial coronariana. Dentre eles pode-se elencar a hipertensão, hipercolesterolemia, tabagismo, obesidade e sedentarismo (10). Quando o indivíduo torna-se fisicamente ativo, boa parte desses eventuais problemas de saúde podem ser atenuados, para melhorar a fisiologia humana é necessário movimento diário do corpo, ou seja, ativá-lo por meio da atividade física.

    A atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto de energia. O exercício físico é conceituado como sendo um subconjunto da atividade física de modo planejado, estruturado e repetitivo cujo efeito é de manter ou melhorar um ou mais componentes da aptidão física (capacidade de realizar atividade física) PATE et al. (11). Desde a década de 1960, estudos têm demonstrado associação inversa da atividade física e aptidão cardiorrespiratória com a ocorrência das enfermidades cardíacas (10). Segundo BERLIN; COLDITZ apud FUNCH, MOREIRA; RIBEIRO (12), a atividade física regular está associada com inúmeros benefícios à saúde, incluindo a redução da incidência de doenças cardiovasculares, como as oriundas de aterosclerose coronariana e cerebrovascular.

    Segundo HEYWARD (13), a prática de atividade física regular constitui a melhor intervenção contra o desenvolvimento de várias doenças, distúrbios e indisposições, isto é, tem efeitos na prevenção de doenças, mortes prematuras e manutenção de uma melhor qualidade de vida. Consoante PATE et al. (11), a atividade física reduz o risco de desenvolver doenças coronárias por uma série de respostas fisiológicas e metabólicas, a saber: aumento do colesterol de lipoproteína de baixa densidade, redução do triglicérides séricos, atenuação da pressão arterial, redução do risco de trombose aguda, aumento da sensibilidade à insulina e redução da sensibilidade do miocárdio aos efeitos das catecolaminas, reduzindo desta forma o risco de arritmias ventriculares.

    Então, a atividade física ou o exercício físico apazigua as chances de ocorrência de uma série de problemas de saúde, inclusive o risco de ter um ataque cardíaco. Para FOSS; KETEYIAN (14), as possíveis respostas biológicas pelas quais a atividade física promove atenuação das taxas de mortalidades cardiovasculares incluem as seguintes: maior estabilidade elétrica do miocárdio (menores concentrações de catecolaminas em repouso e durante o exercício, maior limiar de fibrilação ventricular); menor trabalho do miocárdio e demanda do oxigênio (menor frequência cardíaca e pressão arterial em repouso e durante o exercício); melhor função do miocárdio (maior contratilidade miocárdica); suprimento de oxigênio ao músculo cardíaco mantido (progressão retardada da aterosclerose em virtude da menor adiposidade e dos maiores níveis de colesterol lipoprotéico de alta densidade).

Prescrição e benefícios da atividade física e exercício físico na profilaxia das DCV

    As doenças cardiovasculares são as maiores causas de morte da população em escala mundial. Preveni-las se torna uma preocupação emergencial no âmbito do setor de saúde. Adotar medidas preventivas – por meio de um estilo de vida saudável – como: controle da pressão arterial, da massa corporal, do estresse excessivo e da prática habitual de atividade física, certamente melhora padrão de saúde e previne contra doenças. Os cientistas do exercício e profissionais de saúde afirmam que a atividade física regular constitui a melhor defesa contra o desenvolvimento de inúmeras enfermidades, distúrbios e indisposições. Desta feita, a atividade física é importante na profilaxia de doenças e óbitos prematuros (7).

    A prática regular de atividade física é considerada um relevante componente de um estilo de vida saudável, que promove um funcionamento mais eficiente dos sistemas orgânicos, especialmente no cardiorrespiratório. Essa prática é capaz de minimizar os riscos de desenvolvimento das doenças cardiovasculares (10). A atividade física – salutar para a saúde – proporciona inúmeros benefícios à saúde das pessoas. Estudos realizados por meio de investigações epidemiológicas demonstram efeitos protetores gerados pela prática de atividade física habitual, incluindo as doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes insulino não dependente, osteoporose, câncer de cólon, ansiedade e depressão (11).

    Os pesquisadores sugerem que os exercícios físicos devam ser realizados três ou mais vezes por semana com duração de cerca de 30 minutos diários, de modo intermitente ou contínuo cuja intensidade gire em torno de 3 a 6 equivalentes metabólicos (METS). A intensidade é estabelecida entre 60% a 90% da frequência cardíaca máxima ou 50% a 85% do consumo máximo de oxigênio. Atividades essas suficientes para consumir aproximadamente 200 quilocalorias diárias.

    O exercício físico é aceito como agente preventivo e terapêutico de diversas moléstias, inclusive diante das cardiovasculares (15). Este age na profilaxia e no tratamento de doenças cardiovasculares e crônicas, imputando-se aspectos de ordem benéfica e protetora (16). Consoante POLLOCK et al. (1), tanto os exercícios de resistência aeróbia quanto os exercícios resistidos podem promover benefícios significativos nas aptidões físicas relacionados à saúde (resistência aeróbia, força e resistência muscular), favorecendo melhorias na função cardiovascular, metabólica, fatores de risco coronarianos e psicossociais.

Considerações finais

     Atividades físicas e exercícios são considerados medida não medicamentosa capaz de evitar problemas mais severos de saúde, pois atua no organismo como fator benéfico e protetor contra diversas enfermidades, como: hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes millitus, obesidade e especialmente as doenças cardiovasculares. Enquanto o sedentarismo pode dobrar o risco de ser acometido por alguma ocorrência cardiovascular grave - de modo independente -, a atividade física cotidiana realizada ao menos três vezes semanais e de intensidade moderada pode favorecer melhorias na saúde e na qualidade de vida da população em geral. Os ganhos advindos desta prática podem ser obtidos tanto pela realização dos exercícios de resistência cardiorrespiratória quanto do exercício de força. Ambos devem ser componentes indispensáveis na elaboração de um programa de condicionamento, que vise melhoria do desempenho e aptidões físicas relacionadas à saúde (17).
A prática regular de atividade física tem sido recomendada não apenas para a prevenção e reabilitação das doenças cardiovasculares, mas como estratégia importante de promoção de saúde (18). Sendo assim o mais importante é realiza-las sob a supervisão de uma equipe multidisciplinar qualificada.


Referências:

1. Polock MJ, Wilmark JH. Exercícios na saúde e na doença. 2ª ed. Rio de Janeiro:Medsi;1993.
2. Diário Oficial da União. Portaria nº 1893 de 15/10/2001. Criação do programa de prevenção com atividade física. Brasília;2001.
3. Charlson ME, Isom OW. Care after coronary-artery bypass surgery. N Engl Med. 2003;348(15):1456-63
4. Hedbäck B, Perk J, Hörnblad M, Ohlsson U. Cardiac rehabilitation after coronary artery bypass surgery: 10-years results on mortality, morbidity and readmissions to hospital. J Cardiovasc Risk. 2001;8(3):153-8.
5. Silva E, Catai AM. Fisioterapia cardiovascular na fase tardia-fase III da reabilitação cardiovascular. In: Regenga MM, ed. Fisioterapia em cardiologia: da UTI à reabilitação. 1ª ed. São Paulo:Roca;2000. p.261-310.
6. Taylor RS, Brown A, Ebrahim S, Jolliffe J, Noorani H, Rees K, et al. Exercise-based rehabilitation for patients with coronary heart disease: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Med. 2004;116(10):682-92.
7. Heyward, V. H. Avaliação física e prescrição de exercício – técnicas avançadas. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
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