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Fdeandrea Atividade Física e Saúde

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

“O idoso, depressão e atividade física”

O envelhecimento traz para os indivíduos alterações progressivas, quer nos aspectos funcionais, quer nos motores, psicológicos e sociais. Estas alterações variam de um indivíduo para outro e são influenciadas, tanto pelo estilo de vida quanto por fatores genéticos. Dentre as modificações provenientes do envelhecimento destaca-se a diminuição da capacidade funcional do indivíduo ocasionada principalmente, pelo desuso físico e mental (NIEMAN, 1999).
     Estudos demonstram que cerca de 25% da população idosa mundial depende de alguém para realizar suas atividades da vida diária (ANDREOTTI; OKUMA, 1999). De acordo com Kuwano & Silveira (2002), o sucesso do indivíduo em sua adaptação social decorre da importância das atividades da vida diária (AVDS), pois estas representam vitória no desempenho das tarefas de cuidado pessoal.
A depressão é uma condição clínica freqüente no idoso, estudos epidemiológicos indicam taxas de prevalência que variam de 1 a 16% entre idosos vivendo na comunidade (COPELAND et al., 1987; VERAS; MURPHY, 1994).
Segundo Stoppe & Louzã-Neto (1999), existem diversos fatores envolvidos na etiopatogenia dos transtornos depressivos nos idosos. Os autores ressaltam que estes fatores não atuam iso ladamente, sendo os transtornos depressivos a expressão de uma variável combinação entre estes. Entre estes fatores podem ser citados:

  • Fatores genéticos (que reduzem com a idade)
  • Sexo (maior prevalência no sexo feminino)
  • Fatores psicossociais (eventos vitais, suporte social e luto)
  • Possíveis fatores neurobio lógicos (ritmos biológicos, alterações de estrutura e função cerebrais e neurotransmissores)

Estudos relatam os benefícios da prática de atividade física regular, principalmente, no que diz respeito a uma melhora na saúde mental. As atividades aquáticas, por exemplo, podem contribuir para o tratamento de várias enfermidades mentais, incluindo neuroses de depressão e ansiedade (MOREIRA, 2001). Borges e Rauchbach (2004) observaram que idosos que não têm o hábito da prática de atividade física apresentam uma maior tendência ao estado depressivo.
   Para Lorda e Sanchez (2001) a prática de atividades físicas promove um desenvolvimento integral do idoso, pois, trabalha entre outros, a saúde física, a socialização (integrando o idoso ao seu meio social, ampliando as relações sociais e estimulando o convívio), e a sensibilidade, tornando-se um processo terapêutico de restauração e qualidade de vida, devolvendo no idoso o prazer de viver.

    O processo de envelhecimento por ser uma fase marcada por perdas afetivas, físicas e sociais não deve ser encarado como incapacidade. Mas sim, como uma nova fase da vida, a qual precisa de adaptação, incrementando na vida do idoso novos hábitos de vida (MAZO et al., 2005).
É sabido que o exercício físico pode ser usado no sentido de retardar e, até mesmo, atenuar o processo de declínio das funções orgânicas que são observadas com o envelhecimento, pois promove melhoras na capacidade respiratória, na reserva cardíaca, no tempo de reação, na força muscular, na memória recente, na cognição e nas habilidades sociais. Vale salientar que os exercícios físicos devem ser executados de forma preventiva, ou seja, antes de a doença apresentar suas manifestações clínicas. As intervenções reabilitadoras devem ser programadas de modo a atender às necessidades de cada indivíduo e, dessa forma, a atividade física deve ser mantida regularmente durante toda a vida para que o indivíduo possa gozar de melhorias na qualidade de vida e aumento na longevidade (CARDOSO,1992).
Atualmente, segundo Drewnoski et al. (2003), muito mais importante que o
envelhecimento cronologicamente determinado é o envelhecimento bem sucedido.
Este último é definido como a manutenção do funcionamento físico e mental e do envolvimento com as atividades sociais e de relacionamento. Algumas recomendações visando este objetivo incluem orientações sobre a dieta e a prática de atividade física visando à melhora da qualidade de vida.



Referências bibliográficas
ANDREOTTI, R.A.; OKUMA, S.S. Validação de uma bateria de testes de atividades da vida diária para idosos fisicamente independentes. Revista Paulista Educação Física, São Paulo, 13( 1): 46- 66,1999.
BORGES, S.S.; RAUCHBACH, R. Tendência a estados depressivos em idosos que não tem o hábito da prática da atividade física: um estudo piloto no município de Curitiba. Revista Lecturas: EF y Deportes, Buenos Aires, v.10.n.70: março, 2004.
CARDOSO, J.R. Atividades físicas para a terceira idade. A terceira idade. 1992; 5 (4) : 9-21.
COPELAND, JRM, DEWEY, ME, WOOD, N. et al. Range of mental illnesses amongst the elderly in the community: prevalence in Liverpool using AGECAT. Br J Psychiatry, 1987, 150: 815-823.
Drewnowski A, Monsen E,  Birkett D. Health Screening and Health. Promotion Programs for the Elderly. Managed Health Outcomes. 2003.

LORDA, C. Raul; SANCHEZ, Carmem Delia. Recreação na 3ª Idade. 3.ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2001.
MAZO, Giovana Zarpellon; LOPES, Marize Amorim; BENEDETTI, Tânia Bertoldo. 2.ed. Atividade Física e o Idoso: Concepção Gerontológica. Porto Alegre: Sulina, 2004.
NIEMAN, D. Exercício e saúde. São Paulo : Manole, 1999
SILVEIRA, L.D. Níveis de depressão, hábitos e aderência e programas de atividades físicas de pessoas com transtorno depressivo. (dissertação de mestrado). Florianópolis, SC: UFSC, 2001. 113p.
Stoppe Jr A, Louza Neto MR. Etiopatogenia da depressão em idosos. In: Stoppe
Jr A, Louza Neto MR, editors.Depressão na Terceira Idade: apresentaçãoclínica e abordagem terapêutica.Lemos Editoral, 1999.
VERAS, R.P., MURPHY, E. The mental health of older people in Rio de Janeiro. Int J Geriatr Psychiatry, 9, 1994, p.285-295.

domingo, 13 de junho de 2010

“Atividade física em idosos”

O envelhecimento traz, como uma de suas conseqüências, a diminuição do desempenho motor na realização das atividades da vida diária (AVD), o que, entretanto, não leva as pessoas a se tornarem, necessariamente, dependentes de outros.
Nos idosos este parece ser um desafio, visto que o envelhecimento na sociedade atual está carregado de estereótipos associados apenas nos declínios físicos. A imagem corporal durante a velhice pode sofrer então distorções devido à visão negativa em relação à velhice, baseada na falsa idéia de que envelhecer gera sempre incompetência (GALLAHUE; OZMUN, 2001; NERI, 2001; OKUMA, 1998; SIMÕES, 1998).
É fato que o processo de envelhecimento é inerente à todas as espécies, principalmente ao homem, e que tal processo é inevitável. Porém, estudos relacionados às pessoas idosas têm demonstrado que é possível minimizar e diminuir o declínio físico-fisiológico, influenciando também nos aspectos sociais e psicológicos através de atividades físicas sistematizadas (OKUMA, 1998; SILVEIRA 1998; MATSUDO, 2000).
Embora aproximadamente 25% dos idosos cheguem ao estado de dependência para realizar tarefas cotidianas (Spirduso, 1995), o que é uma parcela considerável da população para trazer problemas para a sociedade, essa situação não se traduz como a totalidade dos idosos, ou como uma condição que todos terão quando envelhecerem Okuma (1999).
De acordo com Schoueri Júnior, Ramos & Papaléo Netto (1994), tradicionalmente o envelhecimento foi um fenômeno sempre estudado e analisado como uma característica de países europeus, pois nessas regiões 28% da população apresenta idade superior a 75 anos. A partir da década de 50, no entanto, tem ocorrido um crescimento expressivo da população idosa nos países de terceiro mundo. Spirduso (1989) comenta que o século XX foi palco de drásticas mudanças de demografia relacionadas à idade. Dados apresentados pela autora mostram que, em 1900, somente 4% da população mundial apresentava idade igual ou superior a 65 anos. No ano 2000, projeta-se que 15 a 20% da população pertencerá a essa categoria. Ressalta-se ainda que a população dos muito idosos (indivíduos acima dos 85 anos), desde 1940, tem crescido mais de 50% a cada década (Pescatello & Di Pietro, 1993; Spirduso, 1989). Na América Latina, estima-se que entre os anos de 1980 e 2000, a população idosa aumentará em 236% e o Brasil, em 2025, terá a sexta maior população idosa no mundo (Schoueri Júnior et alii, 1994). Segundo Kalache, Veras & Ramos (1987), no Brasil, entre os anos de 1950 e 2025, o aumento da população idosa será da ordem de 15 vezes, enquanto o da população como um todo será de não mais que cinco vezes no mesmo período.
Sem dúvida, o aumento da expectativa de vida proporciona às pessoas um maior período de tempo para sintetizar e culminar a realização de seus projetos de vida. Porém, para que isso ocorra, é necessário que a velhice seja vivida com qualidade (Okuma, Andreotti, Lara, Miranda & Suckow, 1995).
Um dos elementos que determinam a expectativa de vida ativa ou saudável é a independência para realização de AVD. Sem dúvida, na velhice, a capacidade de realizar AVD pode sofrer alterações (Adrian, 1986; Aniansson, Rundgren & Sperling, 1980; Gallahue, 1995; Mendes De Leon, Seeman, Baker, Richardson & Tinetti, 1996; Seeman, Bruce & McAvay, 1996).
Nota-se uma forte tendência à diminuição da atuação do indivíduo no meio em que vive. Tanto nas ações motoras mais específicas, como nas mais genéricas pode-se observar um especial comprometimento no comportamento de parte da população idosa.
Sallis e Hovell (1990) sugerem que o comportamento para a prática da AF possui quatro grandes fases. Pesquisas sobre os determinantes da
AF procuram predizer e explicar as transições entre as seguintes fases: do sedentarismo à adoção da AF
(adesão inicial); da adoção à desistência ou manutenção; da desistência à retomada da AF.
Segundo Dishman (1993), há um consenso de que variáveis conhecidas que determinam maior ou menor grau de fixação das pessoas aos programas de AF podem ser categorizadas como fatores pessoais passados e presentes, fatores ambientais ou situacionais passados e presentes, fatores comportamentais e fatores relativos ao programa de AF.
Entre os fatores pessoais, pode-se citar, gênero, idade, grau de instrução, renda(“status” sócio-econômico), raça e etnia e estado civil, aspectos que definem o perfil sóciodemográfico do indivíduo; além de saúde e aptidão física percebida, participação anterior em programas de AFs, razões para fazer AF, conhecimento e crenças nos benefícios da AF para saúde, traços psicológicos do praticante, benefícios percebidos com a AF, bem como fatores fisiológicos como peso corporal e problemas médicos gerais. Parece que o hábito de fumar e tipo de ocupação (emprego) fazem parte dos fatores comportamentais. Quanto aos fatores situacionais, encontram-se apoio social e participação da família, falta de tempo percebida, clima, proximidade do local da prática, além das características do programa de AF em si, como intensidade da atividade, programas individuais ou em grupo e características do professor (Dishman, 1993).
Aos poucos a sociedade como um todo e principalmente a população idosa começam a ver a atividade física como forma de prevenção e reabilitação da saúde, fortalecendo os elementos da aptidão física que se acredita estar diretamente associados com a independência e a autonomia do idoso, permitindo prolongar por mais tempo a execução das atividades da vida diária, tanto as físicas, quanto as instrumentais (OKUMA, 1998; MATSUDO, 2000).
Deve-se observar que “uma velhice tranqüila é o somatório de tudo quanto beneficie o organismo, como por exemplo, exercícios físicos, alimentação saudável, espaço para o lazer, bom relacionamento familiar, enfim, é preciso investir numa melhor qualidade de vida” (PIRES et al., 2002, p. 2).