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Fdeandrea Atividade Física e Saúde

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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

“LER (lesões por esforços repetitivos) e DORT (distúrbios osteomusculares relacionadas ao trabalho) e Atividade Física”


 Introdução



No Brasil, a síndrome de origem ocupacional, composta de afecções que atingem os membros superiores, região escapular e pescoço, foi reconhecida pelo Ministério da Previdência Social como Lesões por Esforços Repetitivos (LER), por meio da Norma Técnica de Avaliação de Incapacidade (1). Em 1997, com a revisão dessa norma, foi introduzida a expressão Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

L.E.R e D.O.R.T

    LER (Lesões por Esforços Repetitivos), DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) são consideradas síndromes de dimensões sociais e econômicas que refletem diretamente na capacidade funcional do trabalhador dificultando a forma de exercer suas atividades e funções causando um grande sofrimento decorrente desse mal, gerando custos significativos para as organizações e o Estado. Nos últimos 20 anos têm aumentado progressivamente o número de pessoas afetadas pelas LER/DORT (2).
    As LER/DORT no Brasil representa o principal grupo de agravos à saúde entre as doenças ocupacionais. Trata-se de afecções com dimensões epidêmicas em diversas categorias profissionais crescente em vários países do mundo. Suas características são representadas sob diferentes formas clínicas causando questionamentos sobre os limites do papel do médico e de outros profissionais dentro da equipe de assistência, dificultando o manejo por parte de equipes de saúde e de instituições previdenciárias (3).
    O termo Lesões por Esforços Repetitivos (LER), adotado no Brasil, está sendo, aos poucos, substituído por Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Essa denominação destaca o termo distúrbio ao invés de lesões, o que corresponde ao que se percebe na prática: ocorrem distúrbios em uma primeira fase precoce, tais como fadiga, peso nos membros e dor, aparecendo, em uma fase mais adiantada, as lesões (2).

Estágios evolutivos da LER/DORT

    Para Oliveira (4) a LER/DORT pode ser classificada em quatro graus:
·         GRAU I: Sensação de peso e desconforto no membro afetado. Dor espontânea no local, às vezes com pontadas ocasionais durante a jornada de trabalho, que não interferem na produtividade. Essa dor é leve e melhora com o repouso. Não há sinais clínicos. 
·         GRAU II: Dor mais persistente e mais intensa. Aparece durante a jornada de trabalho de forma contínua. É tolerável e permite o desempenho de atividade, mas afeta o rendimento nos períodos de maior esforço. 
·         GRAU III: A dor torna-se mais persistente, mais forte e tem irradiação mais definida. Aparecem mais vezes fora da jornada, especialmente à noite. Perde-se um pouco a força muscular. 
·         GRAU IV: Dor forte, contínua, por vezes insuportável, levando ao intenso sofrimento. A dor se acentua com os movimentos, estendendo-se a todo o membro afetado.

  Agentes Causadores da DORT/LER

    Segundo o PUBLIC HEALTH INSTITUTE (5), as causas da DORT/LER seriam originadas por movimentos repetitivos e contínuos. Ele fala também que o esforço excessivo, má postura, estresse e más condições de trabalho contribuem para o aparecimento das DORT/LER. Para o autor em casos mais extremados pode ainda causar sérios danos aos tendões, dores na região afetada e consequente perda de movimentos.
    Strazenwski (6) concorda com o autor acima citado e acresce afirmando que as principais causas da DORT/LER seriam:

. Ambiente de trabalho desconfortável;
. Atividades que exigem força excessiva com as mãos;
. Posturas incorretas;
. Repetições de movimentos;
. Atividades esportivas que exigem grande esforço dos membros superiores;
. Ritmo intenso de trabalho;
. Jornada de trabalho prolongada ou dupla jornada.
Seguindo o autor, todos estes fatores seriam responsáveis por desencadear um processo evolutivo da doença até chegar ao ponto, onde o indivíduo não suportaria mais as dores, tendo que se afastar do serviço.

 Shain (7) estudou os benefícios e efeitos percebidos por trabalhadores logo após a prática de ginástica laboral e identificou os tipos de DORT/LER mais frequentes nos trabalhadores. Segundo ele seriam descritas em ordem de importância desta forma:
·         BURSITE – Seria a inflamação das bursas (pequenas bolsas de paredes muito finas encontradas entre os ossos e os tendões das articulações dos ombros);
·         CISTOS SINOVIAIS – São tumefações esféricas, únicas, macias, indolores e flutuantes que ocorrem devido ao alto grau de degeneração mixóide do tecido sinovial periarticular ou peritendíneo. São encontrados com maior frequência na face extensora do carpo. Seu aparecimento é ocasionado por trabalhos manuais que exijam muita força.
·         DEDO EM GATILHO ou também conhecido como (Tenossinovite Estenosante) – Ela é causadora da impossibilidade de se estender o dedo devido estreitamento da passagem dos tendões flexores aumentando o atrito destes, provocando inflamação local.
·         DISTROFIAS SIMPÁTICOS – REFLEXAS: São dores intermitentes provocando atrofia muscular da região. Promovem a restrição articular, porosidade óssea e impotência de funcionamento do sistema muscular, quando não tratada a tempo.
·         DOR ÁLGICA MIOFACIAL – Esta é caracterizada pela contração prolongada dolorosa dos músculos, pela prática de atividade extenuante ou stress emocional.
·         EPICONDILITE – É encontrada no cotovelo provocando a inflamação das estruturas do mesmo. É caracterizada por ruptura ou estiramento das membranas interósseas, ocasionando uma inflamação capaz de atingir tendões e músculos. Acontece ao nível dos epicôndilos laterais, também conhecidas como “tennis elbow”, que significa cotovelo de tênis, comum em fisiculturistas que carregam muito peso, e até mesmo em trabalhadores artesanais ou donas de casa.
·         SÍNDROME CÉRVICO-BRAQUIAL – É a compressão do nervo braquial ou tensão muscular da coluna cervical.
·         SÍNDROME DO DESFILADEIRO TORÁCICO – Neste caso seria a compressão do feixe do vásculo-nervoso num estreito triângulo formado pelos músculos escaleno anterior e médio juntamente com a primeira costela. Ocorre em trabalhadores que mantêm os braços elevados por períodos prolongados ou que comprimem o ombro contra algum objeto. Podemos citar como exemplo, o uso prolongado e diário de telefone apoiado entre a orelha e o ombro.
·         SÍNDROME DO PRONADOR REDONDO – É a compressão do nervo mediano, abaixo da junção do cotovelo, entre os dois ramos do músculo pronador redondo ou dos tecidos que revestem o bíceps ou na arcada dos flexores dos dedos.
·         TENDINITE – Seria a inflamação aguda ou crônica dos tendões. Encontrada com maior freqüência nos músculos flexores dos dedos pela movimentação freqüente e período de repouso insuficiente da musculatura envolvida. Manifesta-se, através da dor na região que é agravada por movimentos voluntários, apresentando edema e crepitação na região, sendo ele de dois tipos: Tendinite Bicipital e Tendinite do Supra-Espinhoso.
·         TENDINITE BICIPITAL – É a inflamação do tendão do bíceps, provocada por atividades repetitivas, exercícios musculares intensos ou de trauma dos ombros.
·         TENDINITE DO SUPRA ESPINHOSO – É a inflamação do tendão do músculo supra espinhoso em torno da articulação do ombro pela atividade repetida do braço.
·         TENOSSINOVITE – Esta seria a inflamação aguda ou crônica das bainhas dos tendões. Assim como a tendinite os dois principais fatores causadores da lesão são: movimentação frequente e período de repouso insuficiente.
·         SÍNDROME DE QUERVAIN – É o fechamento doloroso da bainha comum dos tendões do longo abdutor do polegar e do extensor curto do polegar. Estes tendões correm dentro da mesma bainha; quando friccionados, costumam inflamar-se. O principal sintoma é a dor muito forte, no dorso do polegar.
·         SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO (STC) – Seria a compressão do nervo mediano no túnel do carpo. As causas mais comuns deste tipo de lesão são a exigência de flexão do punho, a extensão do punho e a tenossinovite ao nível do tendão dos flexores.
·         SÍNDROME DO CANAL DE GUYON – É a compressão do nervo ulnar ao nível do chamado canal de Guyon no punho, causando distúrbio de sensibilidade no quarto e quinto dedos e ocasionando distúrbios motores na face palmar.


O Papel da Atividade Física:

Adams et al (8), diz que a identificação, o tratamento e a prevenção dos riscos a que são submetidos os trabalhadores, dentro e fora do trabalho, devem fazer parte, como principal fator, de um programa de prevenção das lesões por esforços repetitivos. O (9), estabelece que é de competência do empregador a realização da análise ergonômica do trabalho para avaliar a adaptação das condições laborais às características psicofisiológicas do trabalhador.
As pesquisas já demonstram que existem ganhos significativos para a saúde quando uma pessoa adere a um programa de exercícios físicos. Mostram também que essa é a melhor forma de prevenção a patologias crônicas e agudas, pois estimula de uma forma positiva o sistema osteomuscular, cardiorrespiratório, e ainda traz benefícios psíquicos. A prática de atividade física regular está associada à redução do risco de desenvolvimento de diversas doenças crônicas, muitas das quais causas principais de morte prematura e dependência funcional em vários países do mundo, inclusive o Brasil (10).

As definições da Ginástica Laboral:

        A ginástica laboral pode ser entendida, de acordo com o que diz Lima (11), como um conjunto de práticas físicas, elaborados de acordo com o tipo de trabalho realizado na empresa, com o objetivo de compensar as estruturas mais utilizadas no trabalho e ativar as que não são requeridas, relaxando-as.
    Dessa forma, de acordo com Duarte (12) se pode considerar a ginástica laboral como um meio de prevenção para as doenças ocupacionais como LER/ DORT, estresse e depressões assim como forma de sociabilizar os funcionários para que, os mesmos tenham uma convivência prazerosa, uma autoestima elevada e um autoconhecimento maior.
    Para Oliveira (4) a ginástica laboral tem como finalidade fundamental a prevenção e diminuição dos casos de DORT. De acordo com Duarte (12) a ginástica laboral também pode ser implantada como uma intervenção ergonômica, já que a mesma proporciona benefícios para a saúde dos funcionários que a praticam.
    A ginástica laboral por ser um programa de curta duração e de baixa intensidade não leva o trabalhador ao cansaço e não provoca sudorese, pois a mesma respeita o tipo de vestimenta que os funcionários utilizam para executar seu trabalho, assim como suas individualidades e restrições.
    Segundo Martins (13), a ginástica laboral apenas classifica-se em preparatória (antes da jornada de trabalho) e compensatória (durante/após o trabalho). De acordo com ele a ginástica laboral preparatória é mais indicada para os trabalhadores com tarefas que se utilizam de força em seus movimentos, para que ocorra aquecimento músculo articular e posteriormente, aumento da circulação sanguínea periférica. Por sua vez, a ginástica laboral compensatória deve conter alongamento estático a fim de ativar os grupos musculares mais utilizados durante o dia-a-dia laboral. As ginásticas realizadas nos finais do expediente também podem ser chamadas de ginástica de relaxamento.


Considerações finais:

     É possível concluir que a prevenção da DORT/LER se torna muito importante na medida em que o trabalhador, independente da atividade exercida esteja sempre sujeito a doenças independendo de sua atividade.
    A prevenção sem dúvidas vem se tornando a melhor e mais barata alternativa do setor empresarial para minimizar ou até mesmo evitar a doença, fazendo com que estes empresários melhorem o ambiente laborativo através de medidas de segurança, ergonômicas e principalmente melhorando a qualidade de vida no trabalho.
    Desta forma com a inclusão de medidas de conscientização, os gastos com indenizações por invalidez, afastamento do trabalho, ou substituições de funcionários tendem a diminuir muito, além é claro de auxiliar na diminuição do absenteísmo e dos acidentes laborais, o que poderia levar a um aumento gradual da produtividade nas empresas.
    Quanto a prevenção seria não só incluir um programa de atividades físicas para os funcionários, mas sim tentar evitar a doença de todas as formas, e que para isso seria imprescindível que fosse realizada uma análise ergonômica dos postos de trabalho, seguida da adequação destes locais de trabalho em função de cada pessoa.
     É praticamente uma unanimidade entre os autores que a diminuição dos índices de doenças ocupacionais possui relação direta com o condicionamento físico do funcionário, onde se melhorado, acontecerá à inexistência ou a diminuição do aparecimento de doenças decorrentes do labor (14).
Pode-se concluir a relevância da Ginástica Laboral (GL) no ambiente de trabalho, por prevenir alguns distúrbios osteomusculares como a LER/DORT, além de ser uma proposta interessante, que vem produzindo efeitos positivos no combate ao sedentarismo e suas consequências, conscientizando os trabalhadores sobre a importância da movimentação natural do corpo, conservação da postura e sua saúde, tão fundamentais para o desempenho profissional e a harmonização no ambiente de trabalho bem como um fator satisfatório para a maioria das empresas que através da G.L. investe na melhoria da imagem da instituição junto aos empregados e a sociedade, contribuindo para a manutenção do bem estar físico mental e social de seus colaboradores gerando assim um aumento de produtividade (15).


Referências Bibliográficas:

1-      L.E.R. Lesões por Esforços Repetitivos. Normas técnicas para avaliação da incapacidade. Brasília: INSS/CGSP; 1991.
2-      RAGASSON, C. A. P.; LAZAROTTO, E. L.; RUEDELL, A. M. / RUEDELL, A. Estudo das condições de trabalho. In: 2 Seminário Nacional Estado e Políticas Sociais no Brasil, 2005, Cascavel
3-      MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de investigação, diagnóstico, tratamento e prevenção de LER/DORT. Secretária de Políticas de Saúde. Brasília, 2000.
4-      OLIVEIRA, J. R. G. A Prática da Ginástica Laboral. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Sprint, v. 01. 133, 2006.
5-      PUBLIC HEALTH INSTITUTE - CALIFORNIA DEPARTMENT OF HEALTH SERVICES. The California 5 a Day Campaign.
6-      STRAZENWSKI, L. Wellness programs. Rough Notes, Indianapolis v.146, n.3; p.134- 135, Mar. 2003.
7-      SHAIN, M; KRAMER, D. M. Health promotion in the workplace: framing the concept; reviewing the evidence. Occupational Environmental Medicine [S.l.], 61, p.643-648, 2004.
8-      ADAMS et al., Princípios of Neurology, 6th Ed, p. 1360; Pain 1995 oct; 63 (1): 127-33).
9-      UNITED STATES DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES. The power of prevention: reducing the health and economic burden of chronic disease. Atlanta (GA/USA): Centers for Disease Control and Prevention, 2003. 12 p.
10-  Barros, M. V. G. e Santos, S. G. - A atividade física como fator de qualidade de vida e saúde do trabalhador - núcleo de pesquisa em atividade física e saúde - CDS/UFSC.
11-  LIMA, Valquiria de. Ginástica Laboral: atividade física no ambiente de trabalho. 2ed. São Paulo: Phorte, 2005.
12-  DUARTE, M. de F. Efeitos da ginástica laboral em servidores da Reitoria da UFSC. In: Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v.8,n.4, p.07-13, set. 2000.
13-   MARTINS, Caroline de Oliveira. Repercussão de um programa de ginástica laboral na qualidade de vida de trabalhadores de escritório. 2005. 184f. p. 21-82. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Centro Tecnológico, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2005.
14-  Araújo et al. DORT/LER: um olhar conscientizador e prevencionista. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 138 - Noviembre de 2009
15-  Azevedo, P. G. de. e Granado, S. O. A importância da ginástica laboral na prevenção de LER/DORT. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 148, Septiembre de 2010. http://www.efdeportes.com/.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

“Lombalgia e Atividade Física”




Introdução:
A obtenção de equilíbrio nas estruturas que compõem a pilastra de sustentação humana (coluna vertebral), evitando quadros dolorosos a ela relacionados, não se constitui em tarefa fácil, devido principalmente às constantes mudanças de posturas realizadas diariamente pelo homem, expondo sua estrutura morfofuncional a uma série de agravos.
Um desequilíbrio mecânico das estruturas da coluna vertebral atua como fator nocivo sobre elas mesmas. Todas as estruturas que compõem a unidade anátomo-funcional do segmento lombar apresentam inervação nociceptiva, com exceção do núcleo pulposo e de algumas fibras do anel fibroso (1).
As estruturas músculo-articulares são responsáveis pelo antagonismo das ações mecânicas da coluna: eixo de sustentação do corpo e, ao mesmo tempo, eixo de movimentação (2). A falta ou excesso de esforço físico nessas estruturas facilmente acarretará danos à mecânica do ser humano em seus componentes osteomioarticulares.
 Podemos definir a lombalgia como sendo um sintoma referido na altura da cintura pélvica, podendo ocasionar proporções grandiosas. O seu diagnóstico pode ser considerado simples, pois geralmente o quadro clínico da lombalgia é constituído por dor, incapacidade de se movimentar e trabalhar (3).
 Os principais fatores envolvidos na "síndrome da dor lombar" são a fraqueza muscular, principalmente na região adbominal e a baixa flexibilidade articular no dorso e nos membros inferiores. Os exercícios de força e flexibilidade são comumente prescritos para prevenir e reabilitar um indivíduo com esta patologia (4).
    A dor pode surgir em decorrência de movimentos comuns, após espirro, exercícios, esforços violentos, traumas ou até mesmo por causas extrínsecas não relacionadas com a coluna lombar (5).
    As principais causas de dor lombar são:
·         Postura viciosa
·         Aumento do peso corporal tais como obesidade, gravidez, ptose abdominal.
·         O uso constante de saltos altos é na realidade uma agressão, tanto para os pés como para a coluna vertebral
·         Desequilíbrios musculares
·         Fraqueza dos músculos retroversores da pelve
·         Aumento da tensão dos músculos psoas, ilíaco, reto femoral, tensor da fáscia lata e eretores da espinha (6).

SEDENTARISMO E LOMBALGIA:
Apesar de numerosas causas e fatores de risco que estão relacionados com a lombalgia, vários pesquisadores a caracterizam como uma doença de pessoas com vida sedentária; a inatividade física estaria relacionada direta ou indiretamente com dores na coluna; a maior parte da atenção dirige-se a considerá-la um subproduto da combinação da aptidão músculo-esquelético deficiente e uma ocupação que force essa região (7).
A vulnerabilidade corresponde a quanto à doença pode ser controlada com a adoção de medidas apropriadas; a lombalgia pode resultar de uma só causa, ou de várias, e podem existir significativas correlações entre elas. A maioria das lombalgias é freqüentemente atribuída a fatores mecânicos, ou seja, relacionados com posições inadequadas, repetitivas, assumidas no dia-a-dia, associados às deficiências musculares (8).
Não é difícil observar que níveis irrisórios de aptidão física são comuns no estilo de vida sedentário e em algumas atividades profissionais, nas quais raramente há necessidade de esforços físicos. Níveis adequados de aptidão física podem contribuir na postura corporal durante as funções diárias com economia de energia sem exceder o limite tolerável músculo - articular (9).
Déficits de força muscular associada a lombalgias crônicas ocorrem em função de que a atrofia muscular resultante leva a sobrecarga de outras estruturas lombares, bem como a diminuição da coordenação do correto movimento a ser realizado pelas estruturas osteomioarticulares, nos esforços de levantamento de peso nas atividades diárias (10).
 Músculos fracos atingem a condição isquêmica e de fadiga mais facilmente que músculos fortes, aumentando as probabilidades de lesões e dificultando manter a coluna em seu alinhamento adequado. Déficits de força muscular associada a lombalgias ocorrem em função de que a atrofia muscular resultante leva à sobrecarga de outras estruturas lombares, bem como a diminuição da coordenação do correto movimento a ser realizado pelas estruturas osteo-mio-articulares. Existe uma relação direta entre quantidade de estímulos nocivos inibitórios da função muscular e a força muscular disponível. Portanto, a diminuição da força seria provavelmente relacionada à dor. Exercícios adequados podem estimular o restabelecimento que irá diminuir a inibição muscular e aumentar a força do músculo (11).
 A atividade física leva a uma melhora nos principais fatores envolvidos na síndrome da dor lombar que são a fraqueza muscular, principalmente na região abdominal e a baixa flexibilidade articular no dorso e nos membros inferiores. A prática contínua e bem orientada de exercício físico contribui para uma melhor postura e menor incidência de dores lombares. Alguns estudos apontam que exercícios com foco na estabilização da coluna lombar, envolvem o fortalecimento e o alongamento muscular de forma a re-equilibrar as tensões das cadeias musculares que atuam no complexo lombo-pélvico. Porém não há um consenso na literatura sobre o tipo específico de treinamento que proporcione maiores benefícios e com resultados mais duradouros para indivíduos com dor lombar (12).
Conclusão:
Podemos concluir que a prática de atividade física contínua e bem orientada contribui para uma melhor postura e menor incidência de dores lombares.
De modo geral, a relação custo-benefício do exercício físico na promoção da saúde justifica o abandono imediato do sedentarismo, sendo perfeitamente promissora a implementação de programas de exercícios nos mais diversos segmentos da população. As evidências são favoráveis aos indivíduos com melhores níveis de aptidão física, no sentido de manterem menor dispêndio de esforço físico em determinada carga de trabalho.   Os exercícios globais de fortalecimento da musculatura do cinturão pélvico são os mais indicados na reabilitação e na prevenção das dores lombares. Assim sendo, a prática de exercícios físicos regulares e supervisionados com ênfase na correta execução dos movimentos são importantes para uma vida mais saudável e sem lombalgias.






Referências:
1-   Cecin HA, Molinar MHC, Lopes MAB, Morickochi M, Freire M, Bichuetti JAN. Dor lombar e trabalho: um estudo sobre a prevalência de lombalgia e lombociatalgia em diferentes grupos ocupacionais. Rev Bras Reumatol 1991; 31:50-6.
2-   Knoplich J. Enfermidades da coluna vertebral. 2ª ed. São Paulo: Panamed, 1986.
3-   Bernard C. Lombalgia e lombociatalgias em medicina ocupacional. Revista Brasileira de Medicina 1993; 50:3-9.
4-   KATCH, I. F.; MCARDLE, D. W. Nutrição Exercício e Saúde 4a edição editora Médica e Cientifica Medsi 1996.
5-   LEITÃO, A.; LEITÃO, A.V. - Clínica de Reabilitação 1a edição editora Atheneu 1997.
6-   MIRANDA, E. Bases de Anatomia e Cinesiologia 2a edição editora Sprint 2000.
7-   Nieman DC. Exercício e saúde. São Paulo: Manole, 1999.
8-   Antônio SF, Szajubok JCM, Chahada WH. Lombalgias e lombociatalgias: como diagnosticar e tratar. Revista Brasileira de Medicina 1995; 52. Especial: 85-102.
9-   Achour Jr A. Estilo de vida e desordem na coluna lombar: uma resposta dos componentes da aptidão física relacionada à saúde. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde 1995; 1:36-56.
10-               Cheren AJ. A coluna vertebral dos trabalhadores: alterações da coluna relacionadas com o trabalho. Arquivos Catarinenses de Medicina 1992; 21:139-48.
11-               Toscano JJO, Egypto EP. A influência do sedentarismo na prevalência de lombalgia. Rev Bras Med Esporte 2001; 7(4): 132-137.
12-               Jesus GT, Marinho ISF. Causas de lombalgia em grupos de pessoas sedentárias e praticantes de atividades físicas. Lect EF Deportes Rev Dig. [Periódico on line] 2006; 10(92).