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Fdeandrea Atividade Física e Saúde

quarta-feira, 16 de março de 2011

Exercício físico no diabetes

A mortalidade dos pacientes diabéticos é maior do que a da população em geral e decorre especialmente das doenças cardiovasculares. É possível reduzir o risco de diabetes melito (DM) e de hipertensão arterial sistêmica (HAS) através de dieta e exercícios físicos, assim como reduzir os riscos de complicações micro e macrovasculares em pacientes com DM e HAS através do controle glicêmico estrito e redução dos níveis pressóricos. São benefícios clínicos reconhecidos do treinamento físico nesses indivíduos a melhora da capacidade aeróbia, diminuição dos lipídeos e glicose plasmáticos, além da redução da pressão arterial (1).
A atividade física é um fator importante do tratamento do Diabetes Mellitus, e contribui para melhorar a qualidade de vida do portador de diabetes. Mais ainda, atuando preventivamente e implantando um programa de promoção da atividade física, dieta sã e equilibrada, assistência médica, educação do paciente e da equipe sanitária, pode se reduzir significativamente a incidência do diabetes do tipo 2 e das complicações associadas. Segundo um estudo de Helmrich et al.,o risco de diabetes do tipo 2 aumenta à medida que aumenta o IMC (índice de massa corporal), e,ao contrário, quando aumenta a intensidade e/ou a duração da atividade física, expressa em consumo calórico semanal, esse risco diminui,especialmente em pacientes com risco elevado de diabetes.  Tal como ocorre em pessoas não diabéticas, a prática regular de exercício pode produzir importantes benefícios a curto, médio e longo prazo. Esses benefícios estão enumerados na Tabela seguinte (2).

Tabela-Benefícios da atividade física a curto, médio e longo prazo:

 -Aumenta o consumo da glicose.
- Diminui a concentração basal e pós-prandial da insulina.
- Aumenta a resposta dos tecidos à insulina.
- Melhora os níveis da hemoglobina glicosilada.
 -Melhora o perfil lipídico:
-diminui os triglicerídeos.
-aumenta a concentração de HDL-colesterol.
-diminui levemente a concentração de LDL-colesterol.
- Contribui a diminuir a pressão arterial.
- Aumenta o gasto energético:
-favorece a redução do peso corporal.
-diminui a massa total de gordura.
-preserva e aumenta a massa muscular.
- Melhora o funcionamento do sistema cardiovascular.
 -Aumenta a força e elasticidade muscular.
- Promove uma sensação de bem-estar e melhora a qualidade de vida.
De acordo com XAVIER (3), o sentimento dos diabéticos com relação à sua condição leva a todos os agentes da saúde, a inferir que a doença significa mais do que um conjunto de sintomas, mas que possui muitas representações simbólicas e culturais. A forma pela qual os indivíduos entendem a realidade vai determinar a sua maneira de se conduzir na vida. Assim, de acordo com o que o paciente sabe de sua doença, seu real significado, seus riscos e controle de suas atitudes e estilo de vida se encaminharão para a prática no seu cotidiano.   
Diante do alto interesse do núcleo da saúde no tratamento de seus pacientes diabéticos, aumenta-se a busca por novas condutas para que o mesmo conviva com a doença, mas de forma que não a deixe atrapalhar nas atividades diárias. Diante disto, várias pesquisas foram feitas e tiveram como resultado a implantação de programas de exercícios físicos para que surtissem efeitos positivos sobre os portadores desta doença crônica. Desde o século XVIII, o exercício físico vem sendo defendido como instrumento que traz benefícios no tratamento de pacientes com diabetes mellitus (4).  As atividades físicas são importantes para os diabéticos (tipos I e II), devendo ser praticadas regularmente. Pois entre outras coisas, evitam o desenvolvimento e as complicações da doença, ajudam a manter o peso ideal, controlam a glicose na corrente sanguínea, evitam o endurecimento dos membros e melhoram suas condições gerais de saúde (5).  Em pacientes diabéticos tipo I, apesar de um programa de exercícios melhorar a sensibilidade à insulina, não demonstra uma melhora no controle glicêmico, mas é indiscutível que eles possam influenciar nos resultados. No entanto, estes podem ser alterados, se, a fim de prevenir a hipoglicemia, o paciente não aplicar a insulina, não tiver uma orientação nutricional adequada, sobre o que deve ser ingerido antes dos exercícios e exagerar na alimentação.  Nos de tipo II, a ocorrência freqüente de resistência à insulina, obesidade, anormalidade no perfil lipídico e doença cardiovascular, tornam o exercício um potente coadjuvante aliado na terapêutica e com baixo risco de hipoglicemia.       
Recomendações para o paciente:

 Escolher uma atividade física a seu gosto e impor se prática regular da atividade física escolhida.
 Evitar metas inatingíveis. Aumentar progressivamente a duração da atividade e a intensidade do esforço.
 Praticar diariamente pelo menos durante 20-30 minutos, ou 3 a 4 vezes por semana durante 45-60 minutos.
 Começar a sessão com exercícios de alongamento e movimentos articulares. Repetir no fim da sessão.
 Se você nunca praticou atividade física programada, comece por aumentar a atividades diárias que faz habitualmente, como caminhar, subir e descer escadas, etc.
 Interromper o exercício ante sinais de hipoglicemia, dor no peito ou respiração sibilante.
 O sapato utilizado deve ser confortável e as meias de algodão. Examine diariamente os seus pés.
 Beber uma quantidade maior de líquido sem calorias nem cafeína, como água, antes, durante e após a atividade física.
 Se quiser conhecer a intensidade do esforço realizado, controle a sua freqüência cardíaca imediatamente após o fim do exercício.
 Não esqueça de levar açúcar para a sessão de atividade física.
 Se você caminha, corre ou anda de bicicleta, evite as interrupções durante o tempo proposto (2).


Recomendações para a equipe de saúde:

 Determinar se o paciente é sedentário, ativo ou treinador.
 Realizar um exame clínico geral (fundo de olho, presença de neuropatia, osteoartrite) e cardiovascular incluindo uma prova de esforço (ergometria) antes de recomendar ao paciente o tipo, intensidade e duração da atividade física.
 Selecionar junto com o paciente, atividades que sejam de seu gosto e recomendar especialmente ao sedentário ou obeso realizar tividades em grupo ou na companhia de outras pessoas. Assim diminui o risco de deserção.
 Ensinar o paciente (se não sabe) a realizar auto-monitorização glicêmica e recomendar fazê-la antes do início da sessão de atividade física, porque: a –Se glicemia >300mg/dl ou em presença de corpos cetônicos,adiar a prática do exercício. b - Se a glicemia está dentro os limites normais, ou ante uma hipoglicemia, ingerir carboidratos extras antes do exercício (de acordo com sua intensidade e duração). Em regra geral, consumir 10-20 gramas de carboidratos por cada 30 minutos de atividade moderada.

 Para diminuir o risco de hipoglicemia se o paciente recebe insulina ou sulfoniluréias:
a – Estimar a intensidade e duração da atividade física.
b - No caso de uso de hipoglicemiantes orais, pode diminuir ou suspender a dose prevista antes do exercício.
c - No caso de uso de insulina, fazer a aplicação mais de uma hora antes do exercício e diminuir a dose que produz o pico no momento da atividade.
d - Se a atividade for superior ao normal, recomende o controle da glicemia durante a noite, porque pode ser necessário diminuir a dose de insulina ou de hipoglicemiante noturno.
 Se desejar verificar o efeito do exercício sobre a glicemia, recomende ao paciente controlá-la partir de meia- hora após o fim da atividade.
 Ensinar o paciente a controlar sua freqüência cardíaca (2).

Conclusão

A prática de exercícios físicos é imprescindível no tratamento e controle da Diabetes Mellitus, já que com seus diversos benefícios ajuda não só a melhorar o quadro físico do paciente, mas também, o lado emocional, mental e o seu convívio na sociedade como uma pessoa não diabética. Também é importante levar em consideração a personalidade do paciente, pois ele pode estar seguindo todas as recomendações corretamente, mas ser uma pessoa, agitada, nervosa ou depressiva, o que pode acarretar o aumento dos níveis glicêmicos, alterando o controle da doença (6).
O Diabetes mellitus é uma doença crônica que nas últimas décadas, tem apresentado uma prevalência crescente e um alto índice de mortalidade, gerando assim, um custo social bastante elevado. A mudança no estilo de vida com a adoção da prática de exercícios físicos regularmente e uma dieta adequada diminuem o risco da pessoa adquirir o diabetes e oferece uma boa qualidade de vida ao paciente já diabético. No entanto, a mudança no estilo de vida depende de fatores psicológicos, sociais e econômicos (7).
Sendo assim, programas de prevenção ao diabetes e de atenção a pessoas com diabetes devem incorporar ações que ofereçam apoio psicossocial e promovam mudanças no estilo de vida. Para tanto, faz-se necessário além da orientação médica, a participação de uma equipe multidisciplinar, contando com a presença de psicólogos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas e profissionais de educação física.
     

Referências
1-    Irigoyen MC, De Angelis K, Schaan BD, Fiorino P, Michelini LC. Exercício físico no diabetes melito associado à hipertensão arterial sistêmica. Rev Bras Hipertens vol 10(2): abril/junho de 2003.
2-    Nora Mercuri,Daniel Assad.La práctica de actividad física en personas con diabetes tipo 2.Diabetes tipo 2 no insulinodependiente:su diagnóstico,control y tratamiento. Sociedad Argentina de Diabetes (SAD),69-80,1998.
3-    XAVIER, A. T. F.; BITTAR, D. B.; ATAÍDE, M. B. C. Crenças no autocuidado em diabetes - implicações para a prática. Florianópolis, 2009.
4-    RAMALHO, A. C. Diabetes e Atividade Física. 2008. Disponível em: http://www.sitemedico.com.br/sm/materias/index.php?mat=1151.
5-    FRANCO, L. L. Diabetes: como prevenir, tratar e conviver. São Paulo, 2005.
6-    TEIXEIRA, L. Atividade física adaptada e saúde: da teoria à prática. São Paulo, 2008. Ed. Phorte.
7-    Molena-Fernandes et al. A importância da associação de dieta e de atividade física naprevenção e controle do Diabetes mellitus. Acta Sci. Health Sci. Maringá, v. 27, n. 2, p. 195-205, 2005.
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