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Fdeandrea Atividade Física e Saúde

quarta-feira, 8 de junho de 2011

“Atividade física e osteoporose”

                    
A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu a osteoporose como uma “doença esquelética sistêmica caracterizada por massa óssea baixa e deterioração microarquitetural do tecido ósseo, com conseqüente aumento da fragilidade óssea e susceptibilidade à fratura” (1), levando à fragilidade mecânica e conseqüente predisposição a fraturas com trauma mínimo, atingindo a todos, em especial a mulheres após a menopausa (2).
A doença é considerada uma importante questão de saúde pública mundial devido a sua alta prevalência, em função dos seus efeitos devastadores na saúde física e psicossocial, com grandes prejuízos financeiros. Causa invalidez pelas deformidades e incapacidades dos indivíduos afetados e, pelo demorado tratamento das fraturas decorrentes da enfermidade, gera um ônus elevado. As fraturas de quadril reduzem o tempo de vida em 36% para homens e 21% para mulheres (3), ocorrendo a morte nos primeiros seis meses depois da fratura de colo do fêmur. Em pacientes com desordens psiquiátricas, a taxa de mortalidade chega a 50% após a fratura (4).
O custo anual com o tratamento de fraturas osteoporóticas, em 1995, segundo o National Osteoporosis Foundation chegou a 13,8 bilhões de dólares, uma quantidade que pode superar o dobro nos próximos 25 anos por causa do crescimento da população idosa (5).
Segundo GHORAYEB e BARROS, 1999, o declínio da atividade celular, observado a partir da terceira década de vida promoveu significativas alterações na estrutura e na função dos órgãos, observando-se progressiva corrosão das reservas funcionais associadas a queda de resistência do corpo humano em relação aos distúrbios, ao estresse e aos processos patológicos (6) .
 A osteoporose consiste num enfraquecimento ósseo pela diminuição progressiva da massa óssea por unidade de volume, tornando os ossos porosos e facilmente fraturados.  O aumento no número de fraturas em pessoas idosas, principalmente mulheres, sendo estas fraturas conseqüências da osteoporose, nomeou esta doença como epidemia do século XXI, tornando essas pessoas incapacitadas de realizar muitos movimentos antes considerados cotidianos.  Essa situação ocorre principalmente em mulheres no período da menopausa, quando essa perda óssea chega a atingir 1 a 3% ao ano, acentuando-se ainda mais na pós-menopausa, pois ocorre a diminuição dos níveis de estrógeno, que é o principal hormônio regulador do metabolismo ósseo (7).
O termo osteoporose significa literalmente "ossos porosos". É uma doença em que a massa óssea é reabsorvida lentamente pelo corpo e o conteúdo mineral, principalmente o cálcio, é perdido, tornando os ossos frágeis e susceptíveis a fraturas, especialmente na região do quadril, punho e vértebras. Por isso ela é taxada de doença silenciosa, por não dar nenhum sinal visível nem sensorial de sua progressão.
   A osteoporose também esta associada ao sedentarismo. A atividade física é um fator importante para manter a resistência do esqueleto. Os ossos tornam-se mais resistentes com o exercício, reduzindo a porosidade excessiva e as conseqüentes fraturas.
   Na osteoporose há uma diminuição de massa óssea por unidade de volume. A diminuição da resistência se dá por atrofia das trabéculas, que se tornam mais finas e rarefeitas, e também por uma redução da espessura na parte cortical dos ossos (8).
    Os exercícios físicos estão, atualmente, entre as melhores estratégias de intervenção em Saúde Pública, devido a sua ação direta na prevenção de várias doenças crônico-degenerativas. A osteoporose é um dos grandes problemas de saúde de pessoas idosas em diversos países. Esta doença tem como um dos maiores fatores determinantes a massa óssea.
    Em relação a associação entre exercícios físicos habituais e densidade mineral óssea, os estudos encontrados na literatura têm indicado que a perda de densidade mineral óssea que acontece com o processo de envelhecimento, é o maior risco para fraturas quando a osteoporose já se encontra estabelecida, podendo ser amenizados com a prática de exercícios físicos regulares (9). Pesquisas recentes indicam que atividades de impacto e deslocamento do peso contra-gravidade são mais eficazes para produzir aumento na densidade mineral óssea (8).
 O exercício aeróbico praticado regularmente tem efeito positivo sobre a saúde óssea em mulheres saudáveis pós-menopausa (10). Os efeitos de um programa de treinamento de força intenso sobre a densidade óssea em indivíduos idosos pode compensar o declínio típico relacionado com o envelhecimento sobre a saúde óssea pela manutenção ou até mesmo incremento na densidade mineral óssea ou no conteúdo mineral corporal total (11). Contudo, o treinamento de força também aumenta este efeito no osso. Todos estes benefícios podem resultar na diminuição do risco de fraturas ósseas. Ao contrário, as terapias farmacológicas e nutricionais tradicionais para o tratamento da osteoporose têm a capacidade de manter ou reduzir a diminuição óssea, mas não à habilidade para melhorar o equilíbrio, força e massa muscular ou atividade física.
O exercício físico regular incrementa o pico de massa óssea, ajudando na manutenção da massa óssea existente e diminuindo sua perda associada ao envelhecimento (12), preserva a massa óssea, tanto por ação direta do impacto sobre o esqueleto, como por ação indireta, pelo aumento da força muscular, já que há uma tendência da massa óssea ser proporcional à força muscular, pois a maior tração, exercida por músculos mais fortes, serve como estímulo à mineração dos ossos (13).

Atualmente sabe-se que os exercícios com pesos não são apenas os mais eficientes para aumentar a massa óssea, mas também para aumentar a massa e a força dos músculos esqueléticos. Adicionalmente, melhoram a flexibilidade e a coordenação, evitando quedas em pessoas idosas, que poderiam produzir fraturas em ossos osteoporóticos. Outra qualidade dos exercícios com pesos que justifica a sua utilização nas faixas etárias onde a osteoporose constitui problema é a sua segurança. A incidência de lesões é muito reduzida em função da ausência de choques entre pessoas, de movimentos violentos, e mínimo risco de quedas. Também se demonstrou que a segurança cardiológica nos exercícios com pesos bem orientados é superior à de exercícios de média intensidade realizados de maneira contínua, onde o aumento da freqüência cardíaca pode ser fator patogênico importante (13).
Resumindo a situação dos exercícios físicos em relação à osteoporose: a sua importância é grande tanto para a profilaxia quanto para o tratamento dessa condição. A sua utilização deve ocorrer desde a infância, nos anos onde se atinge a massa óssea máxima. Por mecanismos ainda pouco esclarecidos, os exercícios mais eficientes são os que implicam em suporte de cargas e contrações musculares fortes. Dentre esses tipos de exercícios, os mais seguros e práticos são os exercícios com pesos (13).
  A participação em um programa de exercício regular é uma excelente opção para reduzir/prevenir um número de declínios funcionais associados ao envelhecimento.
    O treinamento de endurance pode ajudar a manter e melhorar vários aspectos da função cardiovascular e incrementar a performance submáxima. Muito importante, as reduções nos fatores de risco associados com doenças (doença cardíaca, diabetes, etc.) melhoram a condição de saúde e contribuem para o incremento na expectativa de vida. O treinamento de força ajuda a compensar a redução na massa e força muscular tipicamente associada ao envelhecimento normal.
    Simultaneamente, estas adaptações ao treinamento melhoram muito a capacidade funcional das pessoas idosas, desse modo interferindo na qualidade de vida desta população. Benefícios adicionais do exercício físico regular incluem melhora da saúde óssea, e consequentemente, diminuição no risco de osteoporose; melhora da estabilidade postural, minimizando assim o risco de quedas, lesões e fraturas associadas; e incremento da flexibilidade e amplitude de movimento. Enquanto que algumas evidências sugerem que o envolvimento em exercícios regulares também pode fornecer vários benefícios psicológicos relacionados à preservação da função cognitiva, alívio dos sintomas de depressão e comportamento, e uma melhora no conceito de controle pessoal e auto-eficácia.
    Da mesma forma, os benefícios associados ao exercício regular contribuem para um estilo de vida independente e saudável, melhorando muito a capacidade funcional e a qualidade de vida para nesta população (14).






      Referências :
   1-    CONSENSUS DEVELOPMENT CONFERENCE: Diagnosis, prophylaxis and treatment of osteoporosis. Am. J. Med., 1993.
2-       Carvalho CMRG et al. Educação para a saúde em osteoporose com idosos de um programa universitário: repercussões.Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(3):719-726, mai-jun, 2004.
3-        Chau DL, Edelman SV. Osteoporosis and diabetes. Clin Diabetes 2002; 20:153-7.
4-      Nightingale S, Holmes J, Mason J, House A. Psychiatric illness and mortality after hip fracture. Lancet 2001; 357:1264.
5-        Ray NF, Chan JK, Thamer M, Melton LJ. Medical expenditures for the treatment of osteoporotic fracture in the United States in 1995:   report from the National Osteoporosis Foundation. J BoneMiner Res 1997; 12:24-35.
6-    GHORAYEB, N., BARROS,T. O Exercício. ed. Atheneu, 1999. Pg. 387.
7-    MATSUDO & MATSUDO, Apud PINTO & CHIAPETA, 1995.
8-    NUNES, J.F., FERNANDES, J.A., Influência da ginástica localizada sobre a densidade óssea em mulheres de meia idade. Revista Atividade Física e Saúde, v.2, nº.3, p.14-21,1997.
9-    Matsudo SMM, Matsudo VKR. Exercício, densidade óssea e osteoporose. Revista Brasileira de Ortopedia, São Paulo, v.27, n.10, p.65-77, 1992a.
10-                      Gutin B, Kasper MJ. Can vigorous exercise play a role in osteoporosis prevention? A review. Osteoporosis International, Londres, v..2, n. 2, p.55-69, mar. 1992.
11-                      Nelson ME, Fiatarone MA, Morganti CM, Trice I, Greenberg RA e Evans WJ. Effects of high-intensity strength training on multiple risk factors for osteoporotic fractures. Journal of the American Medical Association, Chicago, v.272 p.1909-1914, 1994.
12-                      Okuma SS. O idoso e a atividade física. 2. ed. Campinas: Papirus, 1998. 208p.
13-                      Santarem JM. Exercício físico e osteoporose. Disponível em: http://www.saudetotal.com.br
14-                      Kleinpau  ET. AL. Exercício físico: mais saúde para o idoso. Uma revisão. Disponível em: http://www.efdeportes.com /  Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - Nº 123 - Agosto de 2008.
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