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Fdeandrea Atividade Física e Saúde

terça-feira, 11 de setembro de 2012


“Exercício Físico, Humor e Bem-Estar”


 A prática regular de exercício físico tem sido reconhecida como uma alternativa não medicamentosa ao tratamento e a prevenção de doenças crônico-degenerativas, promovendo a saúde e a sensação de bem-estar com benefícios evidentes tanto na esfera física quanto cognitiva (1).
A maioria das pessoas experimenta sensação de bem-estar após o envolvimento em exercício físico (2). Dentre os diversos fatores envolvidos nesse sentimento de bem-estar, pode-se citar a comprovada existência de uma relação positiva entre medidas afetivas e exercício físico (3). Assim sendo, o envolvimento de indivíduos com exercício físico, está associado a maiores níveis de satisfação com a vida e felicidade (4).
Na associação do exercício físico a benefícios promovidos na esfera física e cognitiva, o estado de humor, que pode ser entendido como um conjunto de sentimentos subjetivos e visto como uma representação da saúde psicológica do indivíduo (5), interagindo com o bem-estar, apresentando alterações frente a diferentes formas de prescrição do exercício físico (6).
O humor negativo é considerado um fator de risco para diversas doenças sendo o humor positivo, dentro do intervalo normal, um importante preditor da saúde e da longevidade (7), demostrando que o estado de humor e a sensação de bem-estar são importantes aspectos a serem explorados na literatura em relação ao exercício físico intenso como opção para indivíduos jovens.
Apesar da relação positiva entre exercício e saúde psicológica, grande parte da população não usufrui esses benefícios, já que apenas uma pequena parcela se exercita suficientemente e a outra grande parte é completamente sedentária (8).
No Brasil, uma recente publicação revelou que somente 13% dos adultos realizam 30 minutos de atividade física em um ou mais dias na semana, reduzindo para 3,3% quando perguntados se realizavam atividade física pelo menos 30 minutos, 5 ou mais dias por semana (9). Estima-se que o estudo dos mecanismos envolvidos na regulação e na melhoria do estado psicológico pelo exercício pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias de adesão aos programas de atividade física, sendo de grande relevância para as ciências do esporte e para a saúde pública. Uma das explicações mais utilizadas e testadas para explicar os benefícios psicológicos do exercício tem sido a hipótese das endorfinas, segundo a qual a elevação do nível de endorfina estaria associada às mudanças psicológicas positivas induzidas pelo exercício, como a diminuição da ansiedade, da depressão, o aumento do vigor e do bem-estar (10).

As endorfinas

Peptídeos opióides endógenos são substâncias envolvidas na regulação de vários processos fisiológicos do sistema nervoso central, atuando como neuro-hormônios e neurotransmissores, sendo classificados em três grandes grupos: encefalinas, dinorfinas e endorfinas. Os primeiros estudos que verificaram as alterações dessas substâncias utilizaram modelos animais, os quais são os únicos que suportam a hipótese de que o exercício altera os níveis desses peptídeos no sistema nervoso central (11). Dentre os opióides endógenos, a bendorfina é a substância mais investigada. Na década de 80, cresceram os estudos sobre sua liberação pelo exercício em humanos (12). A bendorfina e seu imediato precursor, blipotropina, são originados a partir da molécula pró-opiomelanocortina (POMC), sendo liberados pela hipófise anterior, juntamente com o hormônio adrenocorticotrópico (ACTH). Estudos mostram que a b-endorfina e o ACTH são liberados em quantidades similares após o exercício (13). As endorfinas possuem efeitos analgésicos, eufóricos e aditivos, tendo implicações em diferentes sistemas e fenômenos do organismo (12).
Devido às suas propriedades, muitos dos efeitos positivos do exercício sobre a saúde mental têm sido atribuídos a uma indução da produção de opióides endógenos, principalmente de b-endorfina, embora os mecanismos que medeiam esta ativação sejam pouco conhecidos. Neste sentido, a hipótese das endorfinas preconiza que o aumento das endorfinas circulantes durante e após o exercício estaria associado a sentimentos de euforia e uma redução da ansiedade, tensão, raiva e confusão mental(10). Sabe-se que o aumento das endorfinas circulantes se dá pela ativação do eixo hipotalâmico-pituitário-adrenocortical, podendo ultrapassar até cinco vezes os valores basais, sendo esta resposta variável em função da intensidade e duração do exercício(12). Os estudos reportam aumentos significativos de endorfina plasmática somente em condições anaeróbias ou acima do limiar anaeróbio(14). Por outro lado, esforços submáximos com duração superior a 60 minutos também produzem aumentos de endorfina(12). Resumidamente, a literatura analisada indica que exercícios de alta intensidade (acima de 70% VO2máx) e/ou aqueles de longa duração otimizam a liberação de endorfinas, apontando indicações para a prescrição de exercícios físicos com o objetivo de promover melhorias psicológicas.

Conclusão
A despeito da explicação para a melhoria do humor induzida pelo exercício, torna-se relevante salientar que, independente das hipóteses, as atividades físicas têm demonstrado, tanto cientificamente como na subjetividade de seus praticantes, ser um método eficaz e importante na aquisição de benefícios psicológicos e fisiológicos, proporcionando melhores condições de saúde e qualidade de vida. Por isso, aliado ao estudo teórico das alterações psicológicas do exercício, devem ser desenvolvidas estratégias para que todas as pessoas possam desfrutar dos seus benefícios (15).


Referencias Bibliográficas.
1-      Warburton, D. E. R., Nicol, C. W., & Bredin, S. S. D. (2006). Health benefits of physical activity: The evidence. The Canadian Medical Association Journal.
2-      Zmijewski, C. F., & Howard, M. O. (2003). Exercise dependence and attitudes toward eating among young adults. Eating Behaviors.
3-      Parfitt, G., Markland, D., & Holmes, C. (1994). Responses to physical exertion in active and inactive males and females. Journal of Sport & Exercise Psychology.
4-      Stubbe, J. H., De Moor, M. H. M., Boomsma, D. I., & De Geus, E. J. C. (2007). The association between exercise participation and well-being: A co-twin study. Preventive Medicine.
5-      Boyle, G. J., & Joss-Reid, J. M. (2004). Relationship of humour to health: A psychometric investigation. British Journal of Health Psychology. Yeung, R. R. (1996). The acute effects of exercise on mood state. Journal of Psychosomatic Research.
6-      Yeung, R. R. (1996). The acute effects of exercise on mood state. Journal of Psychosomatic Research.
7-      Young, S. N. (2007). How to increase serotonin in the human brain without drugs. Journal of Psychiatry and Neuroscience.
8-      U.S. Department of Health and Human Services (USDHHS) Physical activity and health: a Report of the Surgeon General. Atlanta: 1996.
9-      Monteiro CA, Conde WL, Matsudo SM, Matsudo VR, Bonsenor IM, Lotufo PA. A descriptive epidemiology of leisure-time physical activity in Brazil, 1996-1997. Pan Am J Public Health: 2003.
10-  Morgan WP. Affective beneficence of vigorous physical activity. Med Sci Sports Exerc. 1985.
11-   Thóren P, Floras JS, Hoffmann P, Seals DR. Endorphins and exercise: physiological mechanisms and clinical implications. Med Sci Sport Exerc, 1990.
12-  Schwarz L, Kindermann W. Changes in B-Endorphin levels in response to aerobic and anaerobic exercise. Sports Med, 1992.
13-  DeVries WR, Bernards NT, DeRooij MH, Koppeschaar HP. Dynamic exercise discloses different time-related reponses in stress hormones. Psychosom Med, 2000.
14-  Harbach H et al. B-endorphin (1-31) in the plasma of male volunteers undergoing physical exercise. Psychoneuroendocrinol, 2000.
15-  Werneck et al. Mecanismos de Melhoria do Humor após o Exercício. R. bras. Ci. e Mov,2005.

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