Powered By Blogger

Seguidores

Fdeandrea Atividade Física e Saúde

quarta-feira, 16 de março de 2011

Exercício físico no diabetes

A mortalidade dos pacientes diabéticos é maior do que a da população em geral e decorre especialmente das doenças cardiovasculares. É possível reduzir o risco de diabetes melito (DM) e de hipertensão arterial sistêmica (HAS) através de dieta e exercícios físicos, assim como reduzir os riscos de complicações micro e macrovasculares em pacientes com DM e HAS através do controle glicêmico estrito e redução dos níveis pressóricos. São benefícios clínicos reconhecidos do treinamento físico nesses indivíduos a melhora da capacidade aeróbia, diminuição dos lipídeos e glicose plasmáticos, além da redução da pressão arterial (1).
A atividade física é um fator importante do tratamento do Diabetes Mellitus, e contribui para melhorar a qualidade de vida do portador de diabetes. Mais ainda, atuando preventivamente e implantando um programa de promoção da atividade física, dieta sã e equilibrada, assistência médica, educação do paciente e da equipe sanitária, pode se reduzir significativamente a incidência do diabetes do tipo 2 e das complicações associadas. Segundo um estudo de Helmrich et al.,o risco de diabetes do tipo 2 aumenta à medida que aumenta o IMC (índice de massa corporal), e,ao contrário, quando aumenta a intensidade e/ou a duração da atividade física, expressa em consumo calórico semanal, esse risco diminui,especialmente em pacientes com risco elevado de diabetes.  Tal como ocorre em pessoas não diabéticas, a prática regular de exercício pode produzir importantes benefícios a curto, médio e longo prazo. Esses benefícios estão enumerados na Tabela seguinte (2).

Tabela-Benefícios da atividade física a curto, médio e longo prazo:

 -Aumenta o consumo da glicose.
- Diminui a concentração basal e pós-prandial da insulina.
- Aumenta a resposta dos tecidos à insulina.
- Melhora os níveis da hemoglobina glicosilada.
 -Melhora o perfil lipídico:
-diminui os triglicerídeos.
-aumenta a concentração de HDL-colesterol.
-diminui levemente a concentração de LDL-colesterol.
- Contribui a diminuir a pressão arterial.
- Aumenta o gasto energético:
-favorece a redução do peso corporal.
-diminui a massa total de gordura.
-preserva e aumenta a massa muscular.
- Melhora o funcionamento do sistema cardiovascular.
 -Aumenta a força e elasticidade muscular.
- Promove uma sensação de bem-estar e melhora a qualidade de vida.
De acordo com XAVIER (3), o sentimento dos diabéticos com relação à sua condição leva a todos os agentes da saúde, a inferir que a doença significa mais do que um conjunto de sintomas, mas que possui muitas representações simbólicas e culturais. A forma pela qual os indivíduos entendem a realidade vai determinar a sua maneira de se conduzir na vida. Assim, de acordo com o que o paciente sabe de sua doença, seu real significado, seus riscos e controle de suas atitudes e estilo de vida se encaminharão para a prática no seu cotidiano.   
Diante do alto interesse do núcleo da saúde no tratamento de seus pacientes diabéticos, aumenta-se a busca por novas condutas para que o mesmo conviva com a doença, mas de forma que não a deixe atrapalhar nas atividades diárias. Diante disto, várias pesquisas foram feitas e tiveram como resultado a implantação de programas de exercícios físicos para que surtissem efeitos positivos sobre os portadores desta doença crônica. Desde o século XVIII, o exercício físico vem sendo defendido como instrumento que traz benefícios no tratamento de pacientes com diabetes mellitus (4).  As atividades físicas são importantes para os diabéticos (tipos I e II), devendo ser praticadas regularmente. Pois entre outras coisas, evitam o desenvolvimento e as complicações da doença, ajudam a manter o peso ideal, controlam a glicose na corrente sanguínea, evitam o endurecimento dos membros e melhoram suas condições gerais de saúde (5).  Em pacientes diabéticos tipo I, apesar de um programa de exercícios melhorar a sensibilidade à insulina, não demonstra uma melhora no controle glicêmico, mas é indiscutível que eles possam influenciar nos resultados. No entanto, estes podem ser alterados, se, a fim de prevenir a hipoglicemia, o paciente não aplicar a insulina, não tiver uma orientação nutricional adequada, sobre o que deve ser ingerido antes dos exercícios e exagerar na alimentação.  Nos de tipo II, a ocorrência freqüente de resistência à insulina, obesidade, anormalidade no perfil lipídico e doença cardiovascular, tornam o exercício um potente coadjuvante aliado na terapêutica e com baixo risco de hipoglicemia.       
Recomendações para o paciente:

 Escolher uma atividade física a seu gosto e impor se prática regular da atividade física escolhida.
 Evitar metas inatingíveis. Aumentar progressivamente a duração da atividade e a intensidade do esforço.
 Praticar diariamente pelo menos durante 20-30 minutos, ou 3 a 4 vezes por semana durante 45-60 minutos.
 Começar a sessão com exercícios de alongamento e movimentos articulares. Repetir no fim da sessão.
 Se você nunca praticou atividade física programada, comece por aumentar a atividades diárias que faz habitualmente, como caminhar, subir e descer escadas, etc.
 Interromper o exercício ante sinais de hipoglicemia, dor no peito ou respiração sibilante.
 O sapato utilizado deve ser confortável e as meias de algodão. Examine diariamente os seus pés.
 Beber uma quantidade maior de líquido sem calorias nem cafeína, como água, antes, durante e após a atividade física.
 Se quiser conhecer a intensidade do esforço realizado, controle a sua freqüência cardíaca imediatamente após o fim do exercício.
 Não esqueça de levar açúcar para a sessão de atividade física.
 Se você caminha, corre ou anda de bicicleta, evite as interrupções durante o tempo proposto (2).


Recomendações para a equipe de saúde:

 Determinar se o paciente é sedentário, ativo ou treinador.
 Realizar um exame clínico geral (fundo de olho, presença de neuropatia, osteoartrite) e cardiovascular incluindo uma prova de esforço (ergometria) antes de recomendar ao paciente o tipo, intensidade e duração da atividade física.
 Selecionar junto com o paciente, atividades que sejam de seu gosto e recomendar especialmente ao sedentário ou obeso realizar tividades em grupo ou na companhia de outras pessoas. Assim diminui o risco de deserção.
 Ensinar o paciente (se não sabe) a realizar auto-monitorização glicêmica e recomendar fazê-la antes do início da sessão de atividade física, porque: a –Se glicemia >300mg/dl ou em presença de corpos cetônicos,adiar a prática do exercício. b - Se a glicemia está dentro os limites normais, ou ante uma hipoglicemia, ingerir carboidratos extras antes do exercício (de acordo com sua intensidade e duração). Em regra geral, consumir 10-20 gramas de carboidratos por cada 30 minutos de atividade moderada.

 Para diminuir o risco de hipoglicemia se o paciente recebe insulina ou sulfoniluréias:
a – Estimar a intensidade e duração da atividade física.
b - No caso de uso de hipoglicemiantes orais, pode diminuir ou suspender a dose prevista antes do exercício.
c - No caso de uso de insulina, fazer a aplicação mais de uma hora antes do exercício e diminuir a dose que produz o pico no momento da atividade.
d - Se a atividade for superior ao normal, recomende o controle da glicemia durante a noite, porque pode ser necessário diminuir a dose de insulina ou de hipoglicemiante noturno.
 Se desejar verificar o efeito do exercício sobre a glicemia, recomende ao paciente controlá-la partir de meia- hora após o fim da atividade.
 Ensinar o paciente a controlar sua freqüência cardíaca (2).

Conclusão

A prática de exercícios físicos é imprescindível no tratamento e controle da Diabetes Mellitus, já que com seus diversos benefícios ajuda não só a melhorar o quadro físico do paciente, mas também, o lado emocional, mental e o seu convívio na sociedade como uma pessoa não diabética. Também é importante levar em consideração a personalidade do paciente, pois ele pode estar seguindo todas as recomendações corretamente, mas ser uma pessoa, agitada, nervosa ou depressiva, o que pode acarretar o aumento dos níveis glicêmicos, alterando o controle da doença (6).
O Diabetes mellitus é uma doença crônica que nas últimas décadas, tem apresentado uma prevalência crescente e um alto índice de mortalidade, gerando assim, um custo social bastante elevado. A mudança no estilo de vida com a adoção da prática de exercícios físicos regularmente e uma dieta adequada diminuem o risco da pessoa adquirir o diabetes e oferece uma boa qualidade de vida ao paciente já diabético. No entanto, a mudança no estilo de vida depende de fatores psicológicos, sociais e econômicos (7).
Sendo assim, programas de prevenção ao diabetes e de atenção a pessoas com diabetes devem incorporar ações que ofereçam apoio psicossocial e promovam mudanças no estilo de vida. Para tanto, faz-se necessário além da orientação médica, a participação de uma equipe multidisciplinar, contando com a presença de psicólogos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas e profissionais de educação física.
     

Referências
1-    Irigoyen MC, De Angelis K, Schaan BD, Fiorino P, Michelini LC. Exercício físico no diabetes melito associado à hipertensão arterial sistêmica. Rev Bras Hipertens vol 10(2): abril/junho de 2003.
2-    Nora Mercuri,Daniel Assad.La práctica de actividad física en personas con diabetes tipo 2.Diabetes tipo 2 no insulinodependiente:su diagnóstico,control y tratamiento. Sociedad Argentina de Diabetes (SAD),69-80,1998.
3-    XAVIER, A. T. F.; BITTAR, D. B.; ATAÍDE, M. B. C. Crenças no autocuidado em diabetes - implicações para a prática. Florianópolis, 2009.
4-    RAMALHO, A. C. Diabetes e Atividade Física. 2008. Disponível em: http://www.sitemedico.com.br/sm/materias/index.php?mat=1151.
5-    FRANCO, L. L. Diabetes: como prevenir, tratar e conviver. São Paulo, 2005.
6-    TEIXEIRA, L. Atividade física adaptada e saúde: da teoria à prática. São Paulo, 2008. Ed. Phorte.
7-    Molena-Fernandes et al. A importância da associação de dieta e de atividade física naprevenção e controle do Diabetes mellitus. Acta Sci. Health Sci. Maringá, v. 27, n. 2, p. 195-205, 2005.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Alerta: Anabolizantes

 
Os hormônios esteróides anabólicos androgênicos (EAA) compreendem a testosterona e seus derivados. Eles são produzidos nos testículos e no córtex adrenal, e promovem as características sexuais secundárias associadas à masculinidade. Na medicina, os EAA são utilizados geralmente no tratamento de sarcopenias, do hipogonadismo, do câncer de mama e da osteoporose. Nos esportes, são utilizados para o aumento da força física e da massa muscular; entretanto, os efeitos sobre o desempenho atlético permanecem, ainda, controversos. Os EAA podem causar diversos efeitos colaterais, como psicopatologias, câncer de próstata, doença coronariana e esterilidade. Estudos epidemiológicos apontam a problemática acerca do uso de EAA, nos esportes (1).

Conceito de esteróides anabolizantes
Os hormônios esteróides são produzidos pelo córtex da supra-renal e pelas gônadas (ovário e testículo). Os esteróides anabolizantes ou esteróides anabólico-androgênicos (EAA) referem-se aos hormônios esteróides da classe dos hormônios sexuais masculinos, promotores e mantenedores das características sexuais associadas à masculinidade (incluindo o trato genital, as características sexuais secundárias e a fertilidade) e do status anabólico dos tecidos somáticos (2). Os esteróides anabólicos incluem a testosterona e seus derivados (3). Entretanto, alguns autores referem os esteróides anabolizantes como os derivados sintéticos da testosterona (4) que possuem atividade anabólica (promoção do crescimento) superior à atividade androgênica (masculinização) (5).

Efeitos colaterais

Efeitos colaterais do uso abusivo de esteróides: tremores, acne grave, retenção de líquidos, dores nas juntas, aumento da pressão sangüínea, alteração do metabolismo do colesterol – diminuindo o HDL (a boa forma do colesterol) e aumentando o LDL com aumento do risco de doenças coronarianas, alterações nos testes de função hepática, icterícia e tumores no fígado, policitemia, exacerbação da apnéia do sono, estrias e maior tendência às lesões do aparelho locomotor, pois as articulações não estão aptas para o aumento de força muscular. Além desses, aqueles que se injetam ainda correm o perigo de compartilhar seringas e contaminar-se com o vírus da AIDS ou hepatite (6).
No homem: diminuição ou atrofia do volume testicular, redução da contagem de espermatozóides, impotência, infertilidade, calvície, desenvolvimento de mamas, dificuldade ou dor para urinar, aumento da próstata e ginecomastia nem sempre reversível (6).
Na mulher: crescimento de pêlos com distribuição masculina, alterações ou ausência de ciclo menstrual, aumento do clitóris, voz grossa e diminuição de seios (atrofia do tecido mamário) (6).  
No adolescente: maturação esquelética precoce com fechamento prematuro das epífises ósseas, baixa estatura e puberdade acelerada, levando a um crescimento raquítico (6).
São ainda descritos quadros psiquiátricos associados ao uso dos EAA. Na vigência do uso: psicoses ou sintomas psicóticos, mania ou hipomania, ansiedade e/ ou pânico e comportamento violento. Na retirada da droga podem ocorrer quadros depressivos.8 Alguns trabalhos avaliam a dependência a EAA . A insatisfação com a imagem corporal é citada como um fator que predisporia os usuários à dependência. Não há dados de prevalência de dependência de EAA. Também se  menciona o consumo pesado de álcool (mais de uma vez por semana) como associado ao uso de EAA entre adolescentes (7).

Conclusão
Os EAA são drogas de uso exclusivo na medicina para o tratamento de diferentes tipos de patologias, causando melhoria das condições da saúde do paciente, quando administrados corretamente (1).
As publicações referentes ao uso de EAA nos esportes causam resultados, na maioria das vezes, benéficos do desempenho, como a hipertrofia muscular e o aumento da força física. Mas alguns estudos demonstram que tais resultados podem estar relacionados simplesmente à retenção de fluidos corporais, efeitos comportamentais e placebo (1).
Os efeitos colaterais tornam-se evidentes quando os atletas fazem o mau uso dos EAA (abuso), ou seja, utilizam estas drogas em concentrações acima da recomendável terapeuticamente, provocando muitas vezes danos irreversíveis à saúde física e mental (1).
Cabe aos profissionais da saúde; médicos, profissionais de Educação Física e nutricionistas; alertar, orientar e esclarecer sobre os efeitos do EAA, no organismo de seu cliente deixando-o ciente dos perigos há que estarão submetidos em sua opção de em alguma ocasião utilizá-los.

Referências
1 – Czepielewski,M.A. Esteróides anabolizantes no esporte. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 8, Nº 6 – Nov/Dez, 2002.
2 - Handelsman DJ. Androgen action and pharmacologic uses. In: De Groot LJ, Jameson JL, editors. Endocrinology. Philadelphia: Saunders, 2001; 232-42.
3 - Ferrera PC, Putnam DL, Verdile VP. Anabolic steroid use as the possible precipitant of dilated cardiomyopathy. Cardiology 1997;88:218-20.
4 - Hoberman JM, Yesalis CE. The history of synthetic testosterone. Sci Am 1995;272:60-5.
5 - Su T, Pagliaro M, Schmidt PJ, Pickar D, Wolkowitz O, Rubinow DR. Neuropsychiatric effects of anabolic steroids in male normal volunteers. JAMA 1993;269:2760-4.
6 - Ribeiro, PCP. Alerta: Os riscos dos esteróides anabolizantes. Boletim da Associação Mineira de Adolescência, Belo Horizonte, 1999.
7 - Brower KJ, Blow FC, Young JP, Hill EM. Symptoms and correlates of anabolic-androgenic steroids dependence. Br J Addict 1991;86(6):759-68.



domingo, 6 de fevereiro de 2011

“Motivos que levam o idoso a aderir a um programa de atividade física”




Conforme  apontam vários estudos, existe uma correlação positiva entre atividade física e a saúde do idoso (1). No entanto, apesar do conhecimento acerca da importância da atividade física na vida dos indivíduos, grande parte da população mantém um estilo de vida sedentário, inclusive os idosos.
A atividade física vem sendo apontada como um dos fatores comportamentais que contribui para um envelhecimento saudável, prevenção da morbidade e mortalidade em idosos (2), uma vez que reduz o risco de doenças coronárias, diabetes, osteoporose e hipertensão, entre outras (3); atuando positivamente na saúde mental (4) e na prevenção de quedas (5).
Sobre o sedentarismo entre os indivíduos idosos podemos verificar que em um estudo realizado pelo Ministério da Saúde (6), em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, ficou constatado que 53,7% dos homens idosos e que 58,3% das mulheres idosas são fisicamente inativos (7).
Freitas (8) ressalta que há evidências demonstrando o efeito benéfico de um estilo de vida ativo, na manutenção da capacidade funcional e da autonomia física durante o processo de envelhecimento, minimizando a degeneração provocada pelo envelhecimento e, assim, propiciar uma melhoria geral na saúde e qualidade de vida.
Gáspari & Schwartz (9), constataram que indivíduos idosos procuram atividades de lazer para diversão, ampliação do rol de amizades, conhecimento de lugares novos, convivência e troca de experiências de vida com outras pessoas.
A adesão à atividade física diminui com o passar da idade, a partir da adolescência e da idade adulta jovem, caracterizada por volta dos cinqüenta anos. Esse declínio continua com proporções maiores de não-adesão em ambos os sexos aos oitenta anos. Há indicativos de que mulheres idosas alegam estereótipos para se tornar sedentárias, acreditando que é inapropriado ou perigoso serem fisicamente ativas, por causa do declínio físico e da percepção de estarem muito velhas (10).
A partir do momento que o idoso começa a participar de um programa de exercício físico, pode-se identificar um passo significativo para uma mudança positiva de comportamento. Porém, são necessários esforços por parte dos gestores e professores do programa para evitar o abandono/desistência, uma vez que há registros de desistência significativamente altos nos programas de exercício físico e/ou reabilitação, especialmente, nos primeiros três a cinco meses (11).

  Debert (12)  entende que a atividade física para o idoso representa uma forma de negar o envelhecimento, pois para os velhos manter a capacidade de autonomia e independência é essencial para os sentimentos positivos em relação à auto-estima. Siqueira(13) acredita que as pessoas na velhice devem manter os mesmos níveis de atividade dos estágios anteriores da vida adulta, substituindo papéis sociais perdidos com o processo de envelhecimento por novos papéis, de modo que o bem-estar na velhice seria resultado do incremento dessas atividades.
 Concluindo temos que a manutenção da capacidade funcional dos idosos é um dos fatores que contribuem para uma melhor qualidade de vida dessa população. Nesse sentido, a prática de atividades físicas é um importante meio para se alcançar esse objetivo, devendo ser estimulada ao longo da vida. Especificamente nessa faixa etária, deve-se priorizar o desenvolvimento da capacidade aeróbica, flexibilidade, equilíbrio, resistência e força muscular de acordo com as peculiaridades dessa população, de modo a proporcionar uma série de benefícios específicos à saúde biopsicossocial do idoso (14).
Assim sendo, se faz necessário compreender mais detalhadamente os fatores associados às práticas de atividades físicas, para a elaboração de estratégias específicas de intervenção promovendo a adesão dessa população a essas atividades.
REFERÊNCIAS
1-    AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Position stand on exercise and physical activity for older adults. Medicine and Science in Sports Exercise,v.30,n.6,p.992-1.008,1998.Disponívelem: http://www.acsm.org/AM/Template.cfm?Section=Past_Roundtables&Template=/CM/ContentDisplay.cfm&ContentID=2836.
2-    BOOTH, F.W., GORDON, S.E., CARLSON, C.J., HAMILTON, M,T. (2000) "Waging war on modern chronic diseases: primary prevention through exercise biology". Journalof Applied Physiology. v.88, n.2, p. 774-787. 
3-    BOUCHARD, C. & DESPRES, J. (1995). "Physical activity and health: Atherosclerotic, metabolic and hypertensive diseases". Research Quarterly for Exercise and Sport. Vol. 66, p. 268-275.  
4-    NETZ, Y., WU, M. J., BECKER, B. J., & TENENBAUM, G. (2005). "Physical activity and psychological well-being in advanced age: A meta-analysis of intervention studies". Psychology and Aging. Vol. 20, p. 272-284.
5-    BARNETT, A., SMITH, B., LORD, S. R., WILLIAMS, M., & BAUMAND, A. (2003) "Community-based group exercise improves balance and reduces falls in at-risk older people: A randomised controlled trial". Age and Ageing. Vol. 32, p. 407-414.
6-     BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Vigitel Brasil 2007: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico.Brasília,2008.Disponívelem:.
7-    Barboza Eiras, Hey Alexandre da Silva, Lange de Souza, Vendruscolo. “FATORES DE ADESÃO E MANUTENÇÃO DA PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA POR PARTE DE IDOSOS”. Rev. Bras. Cienc. Esporte, Campinas, v. 31, n. 2, p. 75-89, janeiro 2010.
8-    FREITAS, C.M.S.M. SANTIAGO, M.S. VIANA, A.T. LEÃO, A.C. FREYRE, C. Aspectos motivacionais que influenciam a adesão e manutenção de idosos a programas de exercícios físicos. Rev. Bras.Cineantropom. Desempenho Hum. 2007;9(1):92-100.
9-    DE GASPARI, J. C.; SCHWARTZ, G. M. O idoso e a ressignificação emocional do lazer. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 21, n.1, p.69-76, jan-abr 2005.
10-                      ANDREOTTI, M. C.; OKUMA, S. S. Perfil sóciodemográfico e de adesão inicial de idosos ingressantes em um programa de educação física. Revista da Universidade de São Paulo, 2003.
11-                      RAMOS, J.H. (2001). "Determinantes de adesão, manutenção e desistência de um Programa de prevenção e reabilitação cardiovascular". Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. v. 3, no. 1, p. 112.
12-                      DEBERT, G. G. A reinvenção da Velhice: Socialização e Processos de Reprivatização do Envelhecimento. Editora da Universidade de São Paulo: Fapesp, 1999.
13-                      SIQUEIRA, M.E.C. Teorias Sociológicas do Envelhecimento. "Tratado de Geriatria e Gerontologia", FREITAS, E. V. et al (org.). Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2002.
14-                      Maciel , M.G. A Atividade Física e a funcionalidade do idoso.Motriz, Rio Claro, v.16 n.4, p.1024-1032, out./dez. 2010

domingo, 9 de janeiro de 2011

“Exercícios Resistidos X Exercícios Aeróbios X Dieta”

Atualmente tem ocorrido evolução importante nos conhecimentos sobre as ciências básicas do exercício físico, e também sobre a importância da atividade física em promoção de saúde, intervenção terapêutica e reabilitação. Uma necessidade atual é a integração dessas áreas do conhecimento, para que possamos utilizar os exercícios físicos da forma mais eficiente e segura, em cada situação. Talvez as mais substanciais mudanças de conceitos resultantes da evolução do conhecimento sejam as relativas aos exercícios resistidos, também conhecidos como exercícios contra resistência, exercícios de fortalecimento muscular, exercícios com pesos, e mais popularmente, musculação. A expressão "exercício resistido" decorre da tradução do inglês "resistance" ou "resistive" – "exercise" ou "training" 1 .

Exercício resistido pode ser definido como contrações musculares realizadas contra resistências graduáveis e progressivas. A resistência mais comum são os pesos, mas também é possível utilizar resistência hidráulica, eletromagnética, molas, elásticos e outras. O treinamento físico é denominado treinamento resistido (TR) quando utiliza exercícios resistidos. A eficiência do TR em estimular a integridade e as funções do aparelho locomotor tem sido demonstrada, e mais recentemente, os seus efeitos promotores de saúde cardiovascular e alto grau de segurança geral. Os estudos com pessoas idosas têm documentado a importância dos efeitos dos exercícios resistidos para melhorar a qualidade de vida por meio do alívio de dores articulares, maior independência funcional e melhora da auto-estima. A segurança musculoesquelética e segurança cardiovascular dos exercícios resistidos também têm sido demonstradas, mesmo diante de co-morbidades. Os exercícios resistidos podem ser mais suaves do que caminhar. Atualmente um significativo corpo de evidências justifica a utilização dos exercícios resistidos para promoção de saúde, terapêutica e reabilitação 2 .
Musculação significa estritamente aumento de massa muscular. Como este objetivo é mais facilmente obtido por meio dos exercícios resistidos, o termo costuma ser utilizado para designar o próprio treinamento com pesos. Neste sentido, a musculação pode ter muitas aplicações: preparação de atletas e esportistas em geral (que invariavelmente necessitam de massa muscular), modelagem do corpo tanto do homem quanto da mulher, reabilitação, e desenvolvimento de aptidão física. A competição em musculação caracteriza o culturismo (fisiculturismo em espanhol e body-building em inglês), uma modalidade desportiva solidamente estruturada internacionalmente 3.
Aeróbio ou anaeróbio dizem respeito ao tipo de metabolismo energético que está sendo utilizado preferencialmente, e este aspecto não tem relação com os efeitos salutares dos exercícios. Ambos os tipos de exercícios podem ser graduados para serem suaves moderados ou exaustivos. Exercícios aeróbios típicos são contínuos e prolongados, realizados com movimentos não muito rápidos (corrida, ciclismo, natação). Nestes exercícios, mais a duração e menos a velocidade dos movimentos, podem ser manipuladas para caracterizar a atividade como suave, moderada ou exaustiva. Exercícios anaeróbios podem ser basicamente de dois tipos: de velocidade, com ou sem alguma carga (corrida, ciclismo, natação), ou lentos com carga (exercícios resistidos tais como a musculação com pesos e aparelhos), e sem carga (ginástica localizada). Nos exercícios anaeróbios a fadiga muscular surge mais rapidamente e os exercícios são realizados de forma interrompida, para intercalar períodos de descanso com períodos de atividade. Os exercícios anaeróbios de velocidade não podem ser suaves, pois a demanda de sobrecargas para o organismo será sempre considerável, sendo a atividade classificada como moderada ou exaustiva. No entanto, os exercícios anaeróbios lentos podem variar de exaustivos à muito suaves, neste último caso impondo menores sobrecargas ao organismo dos que os exercícios aeróbios contínuos 4.
A utilização do exercício físico tem sido um dos procedimentos mais empregados para o tratamento da obesidade. Uma reduzida taxa de atividade física é um fator de risco contribuinte para o desenvolvimento da obesidade; pouca atividade física aumenta o risco de incidência da obesidade e a obesidade pode também, por outro lado, contribuir para os baixos níveis de atividade física 5. Existe significativa relação inversa entre atividade física e índices de gordura 6.
Estudos comprovam a eficácia do exercício para aumento de queima de gordura e diminuição da massa corporal. Pessoas que se exercitam regularmente conseguem alcançar melhores resultados na perda de massa corporal do que os que não realizam nenhum tipo de atividade física 7.
Embora o exercício não seja hábil  em proteger o organismo da redução da taxa metabólica de repouso, causada pela utilização de uma dieta de baixas calorias (um procedimento comum quando se visa a perda de massa corporal), ele é muito eficaz para promover uma maior queima de gordura corporal 8.
Existem na literatura estudos comparando exercício aeróbio e treinamento de força na sua eficácia de prevenir a diminuição de massa magra ou aumentar a queima de gordura em adultos, crianças e adolescentes obesos. Com o desenvolvimento de novas técnicas, mais acessíveis e mais baratas, para a avaliação da composição corporal, as mudanças na composição corporal induzidas pelo exercício também têm sido objeto de muitos estudos.
Grillo 7 ressalta que o exercício sem modificação dietética parece não ser suficiente para produzir uma significante perda de massa corporal em pessoas obesas e que a estratégia essencial é associar o exercício físico à dieta; e que apesar do exercício não promover uma redução de massa corporal com intervenções curtas, ele é essencial na manutenção da massa corporal .
Skender et al. 9 realizaram estudo longitudinal de dois anos e concluíram que indivíduos que perderam massa corporal somente com dieta obtiveram ganho de massa corporal maior depois de terminada a intervenção, enquanto que indivíduos que realizaram somente exercícios físicos obtiveram menores perdas de massa corporal; entretanto, tiveram uma melhor manutenção da massa corporal adquirida .
O exercício físico sozinho produz uma modesta perda de massa corporal, embora estudos comprovem que quando o exercício é realizado com grande intensidade pode promover grandes perdas de massa corporal; entretanto, indivíduos obesos geralmente não apresentam os requerimentos físicos e de aptidão necessários para realizar um exercício físico de alta intensidade. A intensidade do exercício afeta a magnitude da elevação da taxa metabólica pós exercício mais do que a duração; entretanto, não parece possível que indivíduos destreinados sejam capazes de manter a intensidade necessária para produzir uma prolongada elevação no gasto energético pós-exercício 10.
Kraemer et al. 11 examinaram os efeitos fisiológicos de um tratamento dietético visando perda de massa corporal conjugada ou não ao exercício físico em homens. Os resultados obtidos indicam que a dieta conjugada ao exercício aeróbio e treinamento de força previne o declínio normal da massa livre de gordura e aumenta a potência muscular e o consumo máximo de oxigênio quando comparado à dieta restritiva sozinha. Treuth et al.12 avaliaram as mudanças no tecido adiposo abdominal em meninas obesas pré-púberes com a introdução de um treinamento de força, sem a utilização de dieta restritiva e concluíram que, embora o tecido adiposo intra-abdominal não apresentasse mudanças após o período de cinco meses, a gordura corporal total e a gordura subcutânea abdominal aumentaram.
Podemos concluir que o exercício físico, tanto aeróbio como anaeróbio aliado à orientação nutricional, promove maior redução ponderal, quando comparado com a orientação nutricional somente. Seja qual for o tipo de exercício utilizado no tratamento da obesidade, a intensidade da atividade deve ser sempre crescente, uma vez que o indivíduo destreinado e/ou sedentário não é capaz de realizar uma atividade de alta intensidade no começo do treinamento. A intensidade do exercício físico é fator primordial para melhor aquisição de resultados, tanto de condicionamento físico, quanto visando perda de massa corporal 13.
A baixa aderência ao treinamento físico evidenciada com adolescentes pode estar relacionada com o tipo de atividade proposta. Um programa de treinamento que não seja monótono, que não cause tédio e que apresente objetivos que podem ser alcançados, assim como obstáculos que podem ser superados, provavelmente obterá menor taxa de abandono.

      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.      FRONTERA, R.F.; SLOVIK, D.M.; DAWSON, D.M. Exercise in rehabilitation medicine. Ed. Human Kinetics: USA, 2006.
2.      GRAVES, J.E.; FRANKLIN, B.A. Resistance training for health and rehabilitation. USA: Human Kinetics, 2001.
3.      SANTAREM, José Maria. Treinamento de força e potência. In: GHORAYEB, Nabil & BARROS, Turibio, O Exercício: preparação fisiológica, avaliação médica, aspectos especiais e preventivos. São Paulo: Ed. Atheneu. p.35-50, 1999.
4.      SANTAREM, José Maria. Exercício aeróbio e anaeróbio. http://www.saudetotal.com.br/artigos/atividadefisica/exaerobio.asp . 1998.
5.      3. Dietz WH. The role of lifestyle in health: the epidemiology and consequences of inactivity. Proc Nutr Soc 1996;55: 829-40.
6.      Schoeller DA, Schulz LO. A compilation of total daily energy expenditure and body weights in health adults. Am J Clin Nutr 1994;60:676-81.
7.      Grilo CM. Physical activity and obesity. Biomed Pharmacother 1994;48:127-36.
8.      Herson LC, Poole DC, Donahoe CP, Heber D. Effects of exercise training on resting energy expenditure during caloric restriction. Am J Clin Nutr 1987;46:893-9.
9.      Skender ML, Goodrick GK, Del Junco DJ, Reeves RS, Darnell L, Gotto AM, et al. Comparison of 2-year weight loss trends in behavioral treatments of obesity: diet, exercise, and combination interventions. J Am Diet Assoc 1996;96: 342-6.
10.  Sedlock DA, Fissinger JA, Melby CL. Effect of exercise intensity and duration onpostexercise energy expenditure. Med Sci Sport Exerc 1989;21:626-31.
11.  Kraemer WJ, Volek JS, Clark KL, Gordon SE, Puhl SM, Koziris LP, et al. Influence of exercise training on physiological and performance changes with weight loss in men. Med Sci Sport Exerc 1999;31:1320-9.
12.  Treuth MS, Hunter GR, Figueroa-Colon R, Goran MI. Effects of strength training on intra-abdominal adipose tissue in obese prepubertal girls. Med Sci Sport Exerc 1998;30:1738-43.
13.  Fernandez, Ana Cláudia. Rev Bras Med Esporte Vol. 10, Nº 3 – Mai/Jun, 2004.



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

“Mitos e verdades sobre alongamento e flexibilidade"



Inúmeros são os estudos realizados que afirmam diversos benefícios e prejuízos dos exercícios de alongamento e ganhos de flexibilidade. Quanto à prevenção de lesões, muitos são os autores que defendem a idéia de que o alongamento tem uma importante ação preventiva. Porém, podemos observar que a maioria dos que são a favor desta idéia, destacam o alongamento como parte importante do treinamento e não como sendo apenas alguns exercícios preparatórios antes do treino. Em se tratando de exercícios de alongamento após esforços físicos, parece que o ideal são exercícios moderados de alongamento para evitar um encurtamento muscular, não devendo, portanto, serem utilizados exercícios visando ganhos de flexibilidade, pois o músculo fatigado não pode responder prontamente ao reflexo de proteção Almeida; Jabur (2006).
Alongamento é o termo usado para descrever os exercícios físicos que aumentam o comprimento das estruturas dos tecidos moles e, conseqüentemente, a flexibilidade. O autor também considera flexibilidade como a capacidade física responsável pela máxima amplitude de movimento músculo articular de uma ou mais articulações sem o risco de lesão Achour (1996).
A flexibilidade é tão importante para atletas como para pessoas sedentárias. Uma vez que a amplitude articular de determinada articulação esteja comprometida, alguma limitação se manifestará e poderá comprometer o desempenho esportivo, laboral ou de atividades diárias. Os exercícios de alongamento tendem a restabelecer níveis satisfatórios de mobilidade articular e reduzir tensões musculares, resultando numa melhor mecânica articular. No indivíduo sadio, a amplitude articular é influenciada pelos ligamentos, comprimento dos músculos e tendões, e tecidos moles. Já em pessoas com limitações patológicas, os problemas podem ser agravados por processos inflamatórios, redução da quantidade de líquido sinovial, presença de corpos estranhos na articulação e lesões cartilaginosas Marchand (2002).

No indivíduo sadio a amplitude articular é influenciada pêlos ligamentos, comprimento dos músculos e tendões, e tecidos moles. Já em pessoas com problemas patológicos, as limitações podem ser agravadas por processos inflamatórios, redução da quantidade de líquido sinovial, presença de corpos estranhos na articulação e lesões cartilaginosas (WERLANG, 1997). 
O bom nível de flexibilidade varia de acordo com a necessidade de cada um, logo, a boa flexibilidade é aquela que permite ao indivíduo realizar os movimentos articulares, dentro da amplitude necessária durante a execução de suas atividades diárias, sem grandes dificuldades e lesões (BLANKE, 1997). 
O sedentário tende a ter menor grau de flexibilidade que o indivíduo ativo e este fato é agravado com o passar dos anos, pois, o nível de flexibilidade tende a diminuir e com isso aumentam os riscos de: lesões, dores, problemas posturais, e a realização de atividades diárias (WERLANG, 1997).
Alongamento e prevenção de lesões
O uso de exercícios de alongamento para aumentar a flexibilidade é, geralmente, baseado na idéia de que ele pode diminuir a incidência, a intensidade ou a duração da lesão músculo tendinosa e articular. Uma extensibilidade articular mínima parece ser vantajosa em alguns esportes e atividades para prevenir a distensão muscular. Em outras palavras, parece ser uma amplitude de flexibilidade ideal ou favorável que irá prevenir a lesão quando os músculos e articulações forem superalongados acidentalmente Alter (1999).
O alongamento protege as juntas e músculos contra danos, pois melhora o suprimento sanguíneo nessas estruturas mantendo-as saudáveis, além de ajudar a aquecer os músculos preparando-os para exercícios mais intensos. Bradford (2004).Entretanto, aconselhasse não realizar alongamentos, passivos, próximo de um esforço, pois, eles são fontes de pernas “moles”, “pesadas” e de lesões Geoffroy (2001). Porém, é importante lembrar que tal resposta (esse enfraquecimento muscular) é de curta duração, pois, a longo prazo, além de não haver diminuição de força muscular com os exercícios de alongamento, estes podem favorecer os exercícios de força Achour (2004) .
Não foram encontradas evidências suficientes para comprovar que o alongamento previne lesões, mas, destaca-se a importância do alongamento no dia-a-dia de pessoas que passam muito tempo em frente ao computador ou dentro do carro paradas Deardorff (2004).
Pode ser um efeito meramente psicológico que faz com que a maior parte das pessoas envolvidas com esporte acredite que o aumento da flexibilidade diminui as lesões. Talvez seja um sincero desejo de acreditar em alguma coisa que faça sentido. Porém deve ser reiterado que estudos controlados que comprovem que o aumento da flexibilidade previne lesões não existe. Todavia, no treinamento de sedentários e atletas, com o aumento da flexibilidade e da resistência muscular localizada, os riscos de lesões em algumas articulações diminuem consideravelmente, apesar do aumento da carga de trabalho a que aquelas pessoas são submetidas em função do progresso do treinamento Dantas (2003).
Alongamento pós-exercício
Na década de 60 foram realizados inúmeros experimentos por meio de alongamento estático, após exercícios físicos e verificou-se redução da atividade eletromiográfica e da dor muscular Achour (2004). Porém, um estudo realizado em 1989, não confirma os resultados benéficos do alongamento estático ou do aquecimento na dor muscular tardia. O esforço físico provoca isquemia e esta, ao menos em parte, ocasiona a dor muscular. Entretanto, somente a isquemia não causa dor e o acúmulo de ácido lático não parece ocasionar a dor, pois pessoas com síndrome de MacCardle, incapazes de produzir ácido lático pela defi ciência de miofosfolirase, apresentam dor isquêmica numa extensão maior que pessoas normais .
Os exercícios de alongamento no final do esforço físico tem por objetivo evitar o encurtamento muscular, devido às fortes e sucessivas contrações musculares ocasionadas pelo treinamento, enquanto que antes do esforço físico, o alongamento tem a finalidade de preparar o conjunto músculo - articular para efetivar o alcance habitual de movimento. Porém, há um consenso entre os pesquisadores de que ocorre aumento da sensibilidade dos fusos musculares após os esforços máximos desportivos.
Isso sugere que não se utilize o método de flexibilidade ativo após o esforço físico pois, além de o cansaço influir na redução da força dos músculos agonistas, ocorrem mudanças no tráfego do impulso neuromotor com prejuízo na coordenação de direção, o que enfraquece a técnica do exercício de alongamento. E ainda, o músculo fatigado não pode responder prontamente ao reflexo de proteção neuro-muscular. Mesmo assim, há autores que preconizam 5 a 10 minutos de resfriamento após esforços intensos, com exercícios físicos leves de corrida e ciclismo, terminando o treino com exercícios de alongamento Achour (1997).
Fazer ou não fazer ? 
Paulo Zogaib, professor de medicina esportiva da Universidade Federal de São Paulo, acredita que estudos como o que mostra perda de força muscular podem ser válidos para atletas de alto desempenho, mas não teriam grande influência para esportistas amadores.

Para ele, é importante ressaltar o papel do aquecimento antes do alongamento. Embora preconizado por especialistas e professores de educação física, são poucos os praticantes que seguem a recomendação.

"Aumentar a temperatura corpórea é necessário para produzir energia para a contração muscular e promover uma redistribuição do fluxo sanguíneo, privilegiando os músculos que serão utilizados", diz.

Zogaib também considera controverso o alongamento dinâmico. "Os movimentos ativam todas as estruturas musculares, deixando-as de uma forma mais próxima da que o corpo vai usar na atividade seguinte. Porém, como opõem extensões com contrações, aumentam o risco de lesão se não forem feitos corretamente."

Ricardo Munir Nahas, diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, considera que o alongamento dinâmico pode ser arriscado e deve ser praticado sob supervisão por quem tem pouca experiência. O mais importante, para ele, é manter o bom senso. "Alongar não dói. Se isso acontecer, é porque a pessoa está na posição errada ou ultrapassando os limites."

Mara Patrícia Traina Chacon-Mikahil, professora de educação física da Universidade Estadual de Campinas, acha o alongamento dinâmico interessante quando prepara o corpo para uma atividade que combine extensões e contrações de grupos musculares opostos, como vôlei ou futebol. "A vantagem é possibilitar uma ativação neuromuscular ao mesmo tempo em que ajuda a promover o aumento do metabolismo, preparando melhor o corpo para o esforço" Portal da Educação Física (2010).

Podemos perceber que os termos alongamento e flexibilidade são bem controversos a começar pelas suas definições. Há autores que consideram alongamento apenas como exercícios para manutenção da amplitude articular ou como parte de um aquecimento antes de se iniciar uma atividade física, outros já acreditam que o alongamento é uma forma de aumentar ou ganhar amplitude articular. Muitas das idéias a respeito dos diferentes assuntos que envolvem os efeitos dos exercícios de alongamento e ganho de flexibilidade, como prevenção de lesões, alívio de dor, alongamento pós-exercício, ainda não estão concluídas. Em se tratando de exercícios de alongamento após esforços físicos, parece que o ideal são exercícios moderados de alongamento para evitar um encurtamento muscular, não devendo, portanto, serem utilizados exercícios visando ganhos de flexibilidade, pois o músculo fatigado não pode responder prontamente ao reflexo de proteção. Quanto à prevenção de lesões, muitos são os autores que defendem a idéia de que o alongamento é eficiente neste sentido, assim como outros defendem que não existe comprovação científica neste assunto Almeida; Jabur (2006).
Como não existe ainda um consenso no assunto, aconselhe-se sempre com o médico especialista e com o profissional de Educação Física responsáveis por seu treinamento e saúde que com certeza, serão os mais indicados para lhe orientar.


Referências Bibliográficas:
Achour Júnior A. (1996) Bases para Exercícios de Alongamento Relacionado com a Saúde e no Desempenho Atlético. Londrina: Midiograf.
Achour Júnior A. (1997) Avaliando a flexibilidade: manual de instruções. Londrina: Midiograf.
Achour Jr A. (2004) Flexibilidade e Alongamento: Saúde e Bem-estar, São Paulo : Manole.
Almeida, T. T.; Jabur, N. M.; Mitos e verdades sobre flexibilidade: reflexoes sobre o treinamento de flexibilidade na saúde dos seres humanos.Motricidade 3(1): 337-344.
Alter MJ. (1999) Ciência da Flexibilidade. Porto Alegre: Artmed.
BLANKE, D. (1997) Flexibilidade IN: MELLION, M.B. Segredos em Medicina Desportiva. Porto Alegre, Artes Médicas. p 87-92.
Bradford M. (2004). Lifestyle: The benefi ts of stretching. Europe Intelligence Wire 5.
Dantas EHM. (2003) A Prática da Preparação Física. Rio de Janeiro: Shape.
Deardorff J. (2004) When Stretching, Take It Easy, Don’t Simple Let’er Rip. Knight Ridder / Tribune News Service. April 16.
Geoffroy C. (2001) Alongamento para todos. São Paulo: Manole.
Marchand EAA. (2002) Condicionamento de flexibilidade. Disponível em: Revista Digital – Buenos Aires. 8(53).
Portal da Educação Física (2010). Alongamento pode causar perda de força, diz pesquisa. http://www.educacaofisica.com.br/noticias_mostrar.asp?id=5182 
WERLANG, C. (1997) Flexibilidade e sua Relação com o Exercício Físico IN: SILVA, O.J. Exercícios em Situações Especiais I. Florianópolis, Ed. UFSC. p 51-66.





sexta-feira, 6 de agosto de 2010

“O idoso, depressão e atividade física”

O envelhecimento traz para os indivíduos alterações progressivas, quer nos aspectos funcionais, quer nos motores, psicológicos e sociais. Estas alterações variam de um indivíduo para outro e são influenciadas, tanto pelo estilo de vida quanto por fatores genéticos. Dentre as modificações provenientes do envelhecimento destaca-se a diminuição da capacidade funcional do indivíduo ocasionada principalmente, pelo desuso físico e mental (NIEMAN, 1999).
     Estudos demonstram que cerca de 25% da população idosa mundial depende de alguém para realizar suas atividades da vida diária (ANDREOTTI; OKUMA, 1999). De acordo com Kuwano & Silveira (2002), o sucesso do indivíduo em sua adaptação social decorre da importância das atividades da vida diária (AVDS), pois estas representam vitória no desempenho das tarefas de cuidado pessoal.
A depressão é uma condição clínica freqüente no idoso, estudos epidemiológicos indicam taxas de prevalência que variam de 1 a 16% entre idosos vivendo na comunidade (COPELAND et al., 1987; VERAS; MURPHY, 1994).
Segundo Stoppe & Louzã-Neto (1999), existem diversos fatores envolvidos na etiopatogenia dos transtornos depressivos nos idosos. Os autores ressaltam que estes fatores não atuam iso ladamente, sendo os transtornos depressivos a expressão de uma variável combinação entre estes. Entre estes fatores podem ser citados:

  • Fatores genéticos (que reduzem com a idade)
  • Sexo (maior prevalência no sexo feminino)
  • Fatores psicossociais (eventos vitais, suporte social e luto)
  • Possíveis fatores neurobio lógicos (ritmos biológicos, alterações de estrutura e função cerebrais e neurotransmissores)

Estudos relatam os benefícios da prática de atividade física regular, principalmente, no que diz respeito a uma melhora na saúde mental. As atividades aquáticas, por exemplo, podem contribuir para o tratamento de várias enfermidades mentais, incluindo neuroses de depressão e ansiedade (MOREIRA, 2001). Borges e Rauchbach (2004) observaram que idosos que não têm o hábito da prática de atividade física apresentam uma maior tendência ao estado depressivo.
   Para Lorda e Sanchez (2001) a prática de atividades físicas promove um desenvolvimento integral do idoso, pois, trabalha entre outros, a saúde física, a socialização (integrando o idoso ao seu meio social, ampliando as relações sociais e estimulando o convívio), e a sensibilidade, tornando-se um processo terapêutico de restauração e qualidade de vida, devolvendo no idoso o prazer de viver.

    O processo de envelhecimento por ser uma fase marcada por perdas afetivas, físicas e sociais não deve ser encarado como incapacidade. Mas sim, como uma nova fase da vida, a qual precisa de adaptação, incrementando na vida do idoso novos hábitos de vida (MAZO et al., 2005).
É sabido que o exercício físico pode ser usado no sentido de retardar e, até mesmo, atenuar o processo de declínio das funções orgânicas que são observadas com o envelhecimento, pois promove melhoras na capacidade respiratória, na reserva cardíaca, no tempo de reação, na força muscular, na memória recente, na cognição e nas habilidades sociais. Vale salientar que os exercícios físicos devem ser executados de forma preventiva, ou seja, antes de a doença apresentar suas manifestações clínicas. As intervenções reabilitadoras devem ser programadas de modo a atender às necessidades de cada indivíduo e, dessa forma, a atividade física deve ser mantida regularmente durante toda a vida para que o indivíduo possa gozar de melhorias na qualidade de vida e aumento na longevidade (CARDOSO,1992).
Atualmente, segundo Drewnoski et al. (2003), muito mais importante que o
envelhecimento cronologicamente determinado é o envelhecimento bem sucedido.
Este último é definido como a manutenção do funcionamento físico e mental e do envolvimento com as atividades sociais e de relacionamento. Algumas recomendações visando este objetivo incluem orientações sobre a dieta e a prática de atividade física visando à melhora da qualidade de vida.



Referências bibliográficas
ANDREOTTI, R.A.; OKUMA, S.S. Validação de uma bateria de testes de atividades da vida diária para idosos fisicamente independentes. Revista Paulista Educação Física, São Paulo, 13( 1): 46- 66,1999.
BORGES, S.S.; RAUCHBACH, R. Tendência a estados depressivos em idosos que não tem o hábito da prática da atividade física: um estudo piloto no município de Curitiba. Revista Lecturas: EF y Deportes, Buenos Aires, v.10.n.70: março, 2004.
CARDOSO, J.R. Atividades físicas para a terceira idade. A terceira idade. 1992; 5 (4) : 9-21.
COPELAND, JRM, DEWEY, ME, WOOD, N. et al. Range of mental illnesses amongst the elderly in the community: prevalence in Liverpool using AGECAT. Br J Psychiatry, 1987, 150: 815-823.
Drewnowski A, Monsen E,  Birkett D. Health Screening and Health. Promotion Programs for the Elderly. Managed Health Outcomes. 2003.

LORDA, C. Raul; SANCHEZ, Carmem Delia. Recreação na 3ª Idade. 3.ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2001.
MAZO, Giovana Zarpellon; LOPES, Marize Amorim; BENEDETTI, Tânia Bertoldo. 2.ed. Atividade Física e o Idoso: Concepção Gerontológica. Porto Alegre: Sulina, 2004.
NIEMAN, D. Exercício e saúde. São Paulo : Manole, 1999
SILVEIRA, L.D. Níveis de depressão, hábitos e aderência e programas de atividades físicas de pessoas com transtorno depressivo. (dissertação de mestrado). Florianópolis, SC: UFSC, 2001. 113p.
Stoppe Jr A, Louza Neto MR. Etiopatogenia da depressão em idosos. In: Stoppe
Jr A, Louza Neto MR, editors.Depressão na Terceira Idade: apresentaçãoclínica e abordagem terapêutica.Lemos Editoral, 1999.
VERAS, R.P., MURPHY, E. The mental health of older people in Rio de Janeiro. Int J Geriatr Psychiatry, 9, 1994, p.285-295.